Quem é José Newton Lacerda Carneiro?
José Newton Lacerda Carneiro, médico graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é um dos alvos centrais da Operação Coaptação, deflagrada pela Polícia Federal no Ceará. Além de sua formação em Medicina, ele possui pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios e Gestão de Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com especializações em governança corporativa, gestão da inovação e inteligência artificial aplicada à saúde e aos negócios. Ao longo da carreira, José Newton ocupou cargos de gestão em grandes empresas e se apresenta nas redes sociais como fundador do SOS Caucaia, do Samu Caucaia e do Samu Ceará.
Coaph e outros envolvidos no esquema
José Newton é fundador e presidente do Conselho de Administração da Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), que está sob investigação da Polícia Federal. A cooperativa mantém diversos contratos com prefeituras do Ceará, incluindo Fortaleza. Além disso, José Newton também lidera o Grupo HDOC Saúde e tem negócios em setores variados, como alimentação, segurança e entretenimento infantil. A Coaph destacou, em nota, que a investigação não se limita à cooperativa, atingindo outras empresas do setor de saúde que possuem contratos públicos. A entidade reforça a necessidade de investigação, mas ressalta a importância de preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde.
Detalhes da Operação Coaptação
Deflagrada em uma quinta-feira, a Operação Coaptação resultou na prisão de cinco pessoas, incluindo José Newton, e na apreensão de carros e relógios de luxo para aprofundar as investigações sobre desvios milionários em contratos públicos com prefeituras cearenses. Segundo a Polícia Federal, uma empresa envolvida teria recebido mais de R$ 1 bilhão entre 2007 e 2025. O esquema usava empresas de fachada para fechar contratos com prefeituras e lavava dinheiro por meio da compra de veículos de luxo em revendedoras de Fortaleza.
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Entre os presos estão pessoas ligadas à Coaph, que, apesar de ser uma cooperativa e não poder ter lucro, forjava contratos por meio de empresas “notariais” — que existiam apenas no papel — para obter ganhos ilegais. Essas empresas emitiam notas fiscais sem prestar os serviços contratados. A investigação começou após a prisão de um contador da Coaph, flagrado com grande quantia em dinheiro durante as eleições de 2024, levando à descoberta de movimentações financeiras suspeitas.
Prisões, mandados e apreensões
Além das cinco prisões, a Justiça autorizou 24 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de 38 imóveis e 82 veículos ligados aos investigados. As ações ocorreram em Fortaleza, Caucaia, Eusébio, Tauá e Campina Grande (PB). Os suspeitos respondem por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental. Também houve afastamento cautelar de cinco gestores com funções financeiras ou de representação na Coaph e empresas relacionadas.
Carros e relógios de luxo apreendidos
A operação atingiu uma revendedora de veículos, a Drive Car, que teria sido usada para lavagem de dinheiro. Foram apreendidos carros de luxo, como uma McLaren Artura avaliada em até R$ 3 milhões e um Chevrolet Corvette estimado em R$ 1 milhão, além de outros veículos entre R$ 100 mil e R$ 600 mil. Na residência do atual presidente da Coaph, Montezuma Feitosa Alexandrino, em condomínio de luxo em Aquiraz, foram encontrados relógios de marcas como Patek Philippe, avaliado em cerca de R$ 3 milhões, e outros modelos de luxo, incluindo Tag Heuer Carrera, MontBlanc e Vacheron Constantin. Outros investigados tiveram relógios Rolex e Cartier apreendidos, com valores que chegam a R$ 75 mil por peça.
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Fonte: amapainforma.com.br
Posicionamento da Coaph
Em nota oficial, a Coaph afirmou que a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) não se restringe à cooperativa, atingindo outras empresas do setor de saúde com contratos públicos. A cooperativa relembrou que, em 2022, passou por fiscalização semelhante que foi arquivada sem identificação de irregularidades. A Coaph reafirma respeito às autoridades e defende rigorosa apuração, observando o devido processo legal e a presunção de inocência. Destaca a importância de investigar, sem perder de vista a responsabilidade de preservar uma instituição que oferece serviços essenciais à saúde.
A cooperativa enfatiza que sua prioridade é garantir a segurança dos pacientes, a continuidade dos serviços e a responsabilidade com colaboradores, cooperados e contratantes. Afirma atuar pautada pela legalidade, transparência e ética, e que novas informações serão divulgadas pelos canais oficiais para evitar a propagação de fatos não confirmados juridicamente.
