Conflito político e familiar entre Michelle e Flávio Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a colocar em evidência uma crise interna no PL ao criticar a aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB) para a disputa pelo governo do Ceará. O descontentamento reacendeu o atrito com o enteado, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), com quem o relacionamento permanece fragilizado. A tensão entre eles foi um dos motivos que levaram Michelle a gravar um vídeo no mês passado, no qual acusava Flávio de tratá-la com desrespeito.
Michelle afirmou neste domingo, 19, que “a direita do Ceará está vendida”, em resposta a uma declaração de Ciro Gomes, que afirmou que votaria em Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão), sem considerar Flávio Bolsonaro. A crítica ressalta a disputa interna e as divergências estratégicas dentro do campo político da direita no Ceará.
Articulações e distanciamentos no cenário político local
Conforme revelou a Coluna do Estadão, Ciro Gomes tem demonstrado a aliados seu interesse em evitar qualquer associação pública com Flávio Bolsonaro. No dia 10, Flávio participou de um evento em Fortaleza para oficializar Alcides Fernandes como pré-candidato ao Senado. Alcides é pai do deputado André Fernandes, presidente do PL no Ceará e principal responsável pela aliança entre PL e PSDB no Estado. Ciro Gomes, por sua vez, estava em São Paulo e não participou do encontro.
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O entorno do candidato tucano sustenta que a ligação entre ele e Flávio Bolsonaro é uma estratégia do PT para enfraquecer sua campanha ao governo do Ceará. Por essa razão, Ciro evita aparecer ao lado do senador, temendo que a associação prejudique sua imagem, especialmente após a divulgação da conexão de Flávio com Daniel Vorcaro.
Desentendimento público e repercussão familiar
No vídeo divulgado no mês passado, Michelle Bolsonaro manifestou insatisfação com a aliança entre PL e PSDB no primeiro turno e defendeu a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL-CE) ao Senado, que é uma indicação pessoal sua. Na gravação, ela relatou ter sido “maltratada, humilhada e desrespeitada” por Flávio Bolsonaro.
Michelle descreveu que, ao telefone, o enteado foi ríspido e a afastou das decisões partidárias, alegando que ela teria chegado recentemente ao cenário político e não teria conhecimento suficiente. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, comentou a ex-primeira-dama, que definiu a situação como “uma punhalada”.
Na semana passada, Flávio Bolsonaro afirmou que não mantém mais contato com a madrasta. “Eu não tenho mais relação com ela, ainda mais agora que eu tô proibido de falar com o meu pai. Eu ia lá na casa de vez em quando. Eu nunca pressionei pra entrar pra campanha ou pra não entrar, vem a hora que quer, vem se quiser também”, declarou.
