Articulação no Congresso
Aliados dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), estão organizando uma estratégia para derrubar o veto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve impor ao projeto da dosimetria. Essa proposta, aprovada no final de 2025, oferece benefícios a condenados por ataques antidemocráticos. A cúpula do Congresso acredita que já possui o respaldo necessário para reverter essa medida caso o veto seja confirmado.
Na análise de parlamentares próximos a Motta e Alcolumbre, a oposição ao veto está em um estágio avançado. Os presidentes da Câmara e do Senado decidiram não participar do evento organizado pelo governo federal, que marcará os três anos dos ataques de 8 de janeiro. A expectativa é que Lula aproveite essa data para formalizar o veto, o que pode intensificar as tensões com o Legislativo, especialmente na Câmara, onde a proposta original contou com forte apoio.
Impacto Político da Dosimetria
Os deputados e senadores avaliam que a discussão referente à dosimetria acabou por criar um ambiente político tenso, interligando os eventos de 8 de janeiro ao atual cenário no Congresso. A ausência de Motta e Alcolumbre é interpretada como um movimento de precaução institucional. Embora não se alinhem diretamente com as ações do governo, também evitam um confronto aberto.
De acordo com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), um dos aliados mais próximos de Motta, os parlamentares crêem que há votos suficientes para derrubar o veto presidencial. Nogueira caracteriza a ação de Lula como um “desrespeito ao Legislativo”.
“A dosimetria foi aprovada no Congresso com mais de 300 votos. O veto será facilmente derrubado. Lula está utilizando isso como uma bandeira política e simbólica, mais do que uma medida pragmática. Ele acredita que essa postura o fortalecerá. A escolha de não comparecer ao evento que pode ratificar esse veto revela muito sobre a intenção do Congresso”, analisou Nogueira.
Votação no Congresso e Cenário Futuro
No último voto sobre o PL da Dosimetria, a Câmara registrou 291 votos a favor e 148 contra. Já no Senado, o placar foi de 48 a 25, o que demonstra apoio substancial à proposta original. Para que um veto presidencial seja derrubado, é necessário o voto de, no mínimo, 257 deputados e 41 senadores.
Vale destacar que, nos últimos anos, Motta e Alcolumbre já haviam se abstido de participar de eventos de memória e repúdio relacionados à invasão dos Três Poderes, o que reforça um distanciamento da cúpula do Legislativo em relação a algumas ações do governo. Essa dinâmica política poderá influenciar diretamente os desdobramentos das relações entre os Poderes neste inicio de 2026, conforme a situação se desenrola.
