Reconhecimento oficial do ofício das rendeiras de bilro no Ceará
O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará (Coepa) concedeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial ao ofício das rendeiras de bilro. Essa iniciativa marca a abertura do Livro de Registro dos Saberes do patrimônio imaterial do Ceará, que tem como objetivo preservar os conhecimentos e práticas tradicionais presentes no cotidiano das comunidades locais.
A decisão foi tomada durante a segunda reunião extraordinária do Coepa, quando os conselheiros analisaram o dossiê conclusivo da patrimonialização da renda de bilro no Ceará, elaborado pela Célula de Patrimônio Cultural Imaterial (Cepaima). Na mesma ocasião, foi exibido um dos documentários produzidos em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS), que destaca a trajetória de mestras da renda reconhecidas como Tesouros Vivos da Cultura do Ceará.
Participação das detentoras e instituições no processo
De acordo com a secretária da Cultura do Ceará, Gecíola Fonseca, o reconhecimento é fruto da participação ativa das rendeiras durante todas as etapas do processo de patrimonialização. “Este resultado protege o saber-fazer, que ficará registrado no dossiê elaborado pelos técnicos”, afirmou a gestora.
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Fonte: parabelem.com.br
A reunião, presidida pela secretária da Cultura, contou com a presença de conselheiros da área patrimonial, que aprovaram por unanimidade o registro. Além disso, sugeriram encaminhar o pedido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para um reconhecimento em âmbito nacional.
A analista cultural e historiadora Cristina Holanda, da Coordenadoria de Patrimônio Cultural e Memória (Copam), destacou a colaboração de várias instituições durante o processo. Entre elas, o MIS Ceará, a Ceart e a Central do Artesanato do Ceará, que contribuíram com dados, suporte técnico e a realização de entrevistas para os documentários. Em fevereiro, o Seminário sobre a Salvaguarda da Renda de Bilros reuniu rendeiras, designers, gestores municipais, líderes associativos e estudiosos no Centro de Design do Ceará – Kuya.
Importância da salvaguarda do patrimônio cultural imaterial
O patrimônio cultural imaterial engloba conhecimentos e práticas transmitidas de geração em geração, fortalecendo o sentimento de pertencimento e identidade dos grupos sociais. Entre esses elementos estão ofícios, celebrações, técnicas, saberes e manifestações artísticas, além dos objetos e espaços ligados às tradições.
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Fonte: omanauense.com.br
O ofício das rendeiras de bilro do Ceará é o segundo bem imaterial registrado pelo Coepa. O primeiro foi a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha, inscrita no Livro das Celebrações em 2018. O Código do Patrimônio Cultural do Ceará permite a inscrição de bens imateriais em cinco categorias: Livro dos Saberes, Livro das Celebrações, Livro das Formas de Expressão, Livro dos Lugares e Livro dos Tesouros Vivos da Cultura, contemplando diversas manifestações culturais do estado.
Contexto histórico e avanços na política cultural estadual
A preservação do patrimônio imaterial no Ceará tem raízes na década de 1970, com a criação do Centro de Referência Cultural do Estado (Ceres), que reúne um dos mais importantes acervos da cultura popular local. Parte desse material está atualmente sob a guarda do Museu da Imagem e do Som.
Entre 2003 e 2008, o estado avançou na regulamentação das políticas para registro dos bens imateriais e valorização dos Tesouros Vivos da Cultura. Um marco recente foi a publicação da lei estadual 18.232, em 6 de novembro de 2022, que instituiu o Código do Patrimônio Cultural do Ceará e criou o Sistema Estadual do Patrimônio Cultural, estabelecendo normas para identificação, reconhecimento e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial no estado.
