A História do Palácio 9 de Julho
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo já teve quatro sedes diferentes ao longo de sua trajetória, e a atual, o Palácio 9 de Julho, é a primeira construída exclusivamente para essa finalidade. No dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, celebramos 58 anos de sua inauguração.
A ideia de uma nova sede para a Casa Legislativa Paulista foi apresentada em 1960 pelo então presidente Abreu Sodré e rapidamente aprovada pelos parlamentares estaduais. Esse período coincidia com o fim do governo de Juscelino Kubitschek, quando a nova capital, Brasília, havia sido inaugurada, refletindo um cenário de estabilidade no regime democrático.
Antes da construção do Palácio 9 de Julho, a Assembleia ocupava o Palácio das Indústrias, um espaço improvisado que não atendia as necessidades parlamentares. A deputada Conceição da Costa Neves, em registros da época, apontou as limitações desse edifício: “Dia a dia, mostrava-se cada vez mais evidente a inadequação do edifício às funções políticas e administrativas do Poder que ocupava. As constantes reformas e adaptações, impostas pela necessidade, se foram eternizando”.
Allan da Fonseca, analista da Divisão de Biblioteca e Acervo Histórico da Alesp, sublinha que o contexto de maior estabilidade política e econômica no Brasil refletiu em São Paulo e influenciou a decisão de construir um novo patrimônio público. “Foi um acontecimento muito importante na história da cidade e do estado”, complementa.
O Concurso e a Inauguração
Em dezembro de 1960, o local da nova sede foi formalizado ao lado do Parque do Ibirapuera e, no ano seguinte, um concurso público foi aberto, mobilizando arquitetos de todo o país. Foram recebidos 46 projetos, e o resultado foi revelado ao vivo pela TV Excelsior em 14 de junho de 1961.
Os vencedores do concurso foram Adolpho Rubio Morales e Fábio Kok de Sá Moreira, que se inspiraram no modernismo de Oscar Niemeyer. Após mais de sete anos de obras, a inauguração do Palácio 9 de Julho ocorreu em 25 de janeiro de 1968, já sob o regime da ditadura militar.
Características do Modernismo e sua Representação
O restaurador e fotógrafo de arquitetura Victor Massao ressalta que o projeto do Palácio 9 de Julho é uma manifestação das primeiras correntes do modernismo que emergiram no Rio de Janeiro no final dos anos 1930, bastante presentes em grandes obras públicas, como em Brasília. Arquitetos icônicos como Gustavo Capanema, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer foram fundamentais nesse movimento.
O modernismo, por sua vez, buscava leveza, sinuosidade e cores claras, refletindo o calor e promovendo a ideia de valorização do poder popular. “Psicologicamente, é a lógica da transparência. Você, como população, pode observar os trâmites do Poder”, aponta.
Os brises que revestem o Palácio 9 de Julho, pequenas aberturas que protegem as janelas do sol, simbolizam essa ideia de acessibilidade. “É como se o edifício quisesse parecer leve e acolhedor, algo que você pode facilmente acessar”, sugere Massao.
Localização Estratégica e Seu Significado
Allan da Fonseca destaca que a localização do Palácio é estratégica e possui significados profundos no imaginário político paulista. Situado em frente ao Parque do Ibirapuera, um ícone da cidade e do modernismo, e próximo a importantes avenidas, como 23 de Maio e 9 de Julho, o prédio está intimamente ligado à história da Revolução Constitucionalista e à narrativa histórica do Brasil.
Acervo e Memória Histórica
A Divisão de Biblioteca e Acervo Histórico da Alesp abriga uma coleção que inclui fotos da época da construção do Palácio, croquis originais dos arquitetos concorrentes e documentos da Comissão de Obras, formada por deputados e funcionários que coordenaram o processo de concurso e construção. Além disso, o acervo conta com cópias de revistas históricas, recuperadas por ex-funcionários e doadas para a Divisão.
