Análise de Christopher Garman sobre a Ação dos EUA na Venezuela
A recente ação dos Estados Unidos, que resultou na destituição de Nicolás Maduro na Venezuela, sinaliza uma mudança significativa na abordagem da política externa americana em relação à América Latina. Esse insight vem do diretor-geral para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, que compartilhou suas opiniões em entrevista ao Estadão/Broadcast. Para Garman, o episódio destaca que a região está se tornando uma prioridade nas doutrinas de política e segurança nacional dos EUA.
Embora ele não preveja novas intervenções militares, Garman afirma que a atual administração americana demonstrará uma postura mais ativa, promovendo apoio a aliados e ampliando sua influência, especialmente no México e na América Central. Nesse cenário, é provável que Washington intensifique a pressão sobre a presença chinesa e busque influenciar as eleições nos países da região, além de intensificar esforços no combate ao narcotráfico, o que pode gerar tensões com outras nações.
Por outro lado, Garman destaca que a capacidade e o desejo dos EUA de intervir diretamente nos assuntos internos da América do Sul são limitados. Ele menciona o Brasil como um exemplo, citando a reviravolta de Trump em relação às tarifas comerciais. Essa análise revela um entendimento mais complexo sobre os desafios que os EUA enfrentam ao tentarem exercer influência na região.
Entrando nos detalhes da ação na Venezuela, Garman aponta que fatores ideológicos e a frustração por uma mudança de regime não concretizada durante o primeiro mandato de Trump são motivadores centrais. Além disso, interesses relacionados ao petróleo também desempenham um papel crucial. No entanto, ele ressalta que o narcotráfico é uma questão frequentemente subestimada que merece maior atenção nas análises políticas.
“A Casa Branca deseja transmitir uma imagem de força no combate ao narcotráfico na região. Essa estratégia atende a uma demanda interna por lei e ordem. Medidas como a contenção da entrada de migrantes e a colocação de tropas da Guarda Nacional nas cidades americanas demonstram essa abordagem. A Venezuela, nesse contexto, serve como um palco para projetar essa imagem de combate ao crime”, avalia Garman.
Ele complementa suas observações ao afirmar que a recente ênfase na luta contra o narcotráfico é um sinal claro de que esse tema se tornou uma vertente importante da política externa americana. A tentativa de classificar facções como o PCC e o CV como organizações terroristas no Brasil ilustra essa tendência.
No que diz respeito à Europa, Garman observa que a postura do ex-presidente Trump levanta incertezas quanto à Doutrina Monroe, ainda que essa situação não deva impactar negativamente as relações entre os Estados Unidos e a Europa. Ele acredita que a intervenção na Venezuela não terá consequências diretas nas negociações em curso sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o que ressalta a complexidade das relações internacionais atuais.
