Valorização das Terras no Norte do Espírito Santo
O preço do hectare de terra no Norte do Espírito Santo se destaca entre os mais elevados do Brasil, alcançando valores que chegam a até R$ 200 mil em municípios como Linhares, São Mateus, Aracruz, Jaguaré, Vila Valério, Rio Bananal e Sooretama. Essa realidade é comparável a preços praticados em Franca, no interior de São Paulo. O levantamento dessa situação foi realizado pela Zera.ag, uma empresa que atua no financiamento privado para o agronegócio.
As condições do relevo, que se apresentam favoráveis e predominantemente planas, além da boa disponibilidade de água, são fatores que contribuem para essa valorização. No entanto, o que realmente tem pressionado os preços nos últimos quatro anos é a ascensão dos valores do café e a alta produtividade do conilon, a espécie que predomina na região.
Octaciano Neto, sócio da Zera.ag e ex-secretário de Agricultura do Espírito Santo, comentou sobre a valorização das áreas destinadas ao cultivo do café: “Estamos observando uma valorização generalizada dessas áreas em todo o Brasil, superando o que vemos em áreas de soja. Contudo, a combinação de fatores no Norte do Espírito Santo é bastante singular. Na maioria, as lavouras são irrigadas, o que intensifica a produção. Com a valorização do café, as margens de lucro aumentaram significativamente, levando os produtores a investirem mais na aquisição de terras. Esse cenário, aliado a uma demanda crescente por propriedades na região, tem um impacto decisivo nos preços que estamos presenciando atualmente.”
O Levantamento e suas Implicações
Octaciano ressalta que a pesquisa realizada envolveu fundos listados na Bolsa de São Paulo, que investem em terras em todo o Brasil e divulgam suas análises no mercado. A pesquisa concentrou-se na agricultura em grande escala, que requer áreas maiores para operação. É importante mencionar que regiões focadas em hortifruti, como Pedra Azul, no Espírito Santo, apresentam preços superiores, mas não têm a mesma extensão territorial que foi considerada no levantamento.
A comparação de preços por todo o Brasil revela um quadro diversificado. Em Franca, São Paulo, o preço do hectare varia entre R$ 150 mil e R$ 200 mil; já em Linhares, Espírito Santo, os valores também ficam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. Piumhi, em Minas Gerais, apresenta um preço médio de R$ 120 mil por hectare, enquanto Gaúcha do Norte, em Mato Grosso, registra R$ 80 mil. Na Bahia, em Correntina, o preço cai para R$ 45 mil, enquanto Balsas, no Maranhão, apresenta R$ 55 mil por hectare. Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, é a área com menor preço, a R$ 30 mil por hectare. Sorriso, em Mato Grosso, tem valores semelhantes aos de Piumhi, com R$ 120 mil.
Esse levantamento reflete não apenas a dinâmica do mercado de terras, mas também o quanto a cultura do café tem se mostrado resiliente e promissora, afetando diretamente a economia local e a decisão de investimento dos produtores. A expectativa é que essa valorização continue a moldar o cenário agrário da região, à medida que a demanda por produtos de qualidade e a modernização do cultivo se tornam cada vez mais relevantes.
