Debatendo a Sustentabilidade e Inovação no Setor Agrícola Brasileiro
O São Paulo Innovation Week (SPIW) está se preparando para dar um destaque especial ao agronegócio, promovendo uma discussão abrangente sobre a importância do Brasil na economia global e no sistema alimentar. Com curadoria de Marcos Jank, colunista do Estadão e coordenador do núcleo de agronegócio global no Insper, e Ana Paula Malvestio, fundadora da Hólon Consultoria em Governança e conselheira de empresas do setor, a programação do evento reunirá empresários, acadêmicos e executivos com o intuito de discutir temas que vão desde geopolítica até inovações tecnológicas no campo.
O festival, que ocorrerá durante os dias 13, 14 e 15 de maio, em locais icônicos como o Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), é uma realização do Estadão em parceria com a Base Eventos. Os assinantes do Estadão terão a oportunidade de adquirir ingressos com um desconto de 35%. Para os não-assinantes, existe um link disponível para compra de passaportes para os três dias do evento.
A programação é clara: o objetivo é reposicionar o agronegócio brasileiro não apenas como uma potência produtiva, mas também como um ator fundamental nas questões de segurança alimentar, sustentabilidade e transição energética.
“Para alcançarmos uma produção eficiente de soja, milho, algodão, carne bovina e suína, é essencial investir em tecnologia. Geneticamente, no manejo, na alimentação, além do uso de fertilizantes e pesticidas. Um dos temas que abordaremos no SPIW é o avanço das tecnologias, como a agricultura de precisão, que permite a aplicação localizada de produtos, resultando em até 70% de redução no uso de pesticidas”, explicou Jank.
Entre os palestrantes já confirmados, estão nomes de peso como Silvia Massruhá, primeira mulher a presidir a Embrapa; Beto Abreu, presidente da Suzano; e Teka Vendramini, pecuarista e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira. Outros participantes incluem Marcelo Batistela, vice-presidente de soluções de agricultura da BASF Brasil; Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS; Maurício Rodrigues, presidente da Bayer CropScience para a América Latina; e um time de especialistas que trará contribuições valiosas nas discussões.
“Um dos temas que traremos ao evento será a evolução na conectividade no campo. Avanços significativos foram feitos em controle territorial e georreferenciamento, que ajudam a combater o desmatamento ilegal. Hoje, o monitoramento é constante, realizado a partir de satélites. O Brasil desenvolveu tecnologias próprias, ao contrário de outros setores que podem importar tecnologia sem dificuldades. Para os trópicos, foram necessárias adaptações”, afirma Jank.
Agenda do SPIW
No primeiro dia do evento, a atenção estará voltada para inovações e sustentabilidade. Painéis com títulos como “Do Solo ao Token: Como o Digital Está Impactando o Agro” e “Empreendedorismo: Onde Inovação e Sustentabilidade se Encontram” demonstrarão como tecnologias emergentes, desde plataformas digitais até a tokenização de ativos, começam a redesenhar o setor. Discussões sobre bioenergia e liderança serão também parte fundamental da agenda, destacando a importância de modelos já estabelecidos que agora ganham nova relevância em face das mudanças climáticas.
O segundo dia avançará para uma perspectiva mais abrangente sobre o futuro da alimentação, abordando temas como produtividade e a percepção do agronegócio no exterior, em discussões que incluem a polêmica “Agro: Herói ou Vilão?”. A pauta também contemplará questões sobre o desperdício de alimentos e a eficiência das cadeias alimentares.
No último dia do SPIW, a programação assumirá um tom mais estratégico e geopolítico, com painéis como “Diplomacia dos Alimentos: O Agronegócio na Nova Ordem Global” e “Geopolítica, Mercados e Poder: O Novo Jogo do Agro Brasileiro”. Esses temas demonstram como o Brasil se posiciona em uma disputa global por influência através de alimentos, energia e commodities, reforçando a ideia de que o agro evoluiu para um papel central na política externa.
Um dos destaques será a crescente preocupação com a sustentabilidade como um diferencial competitivo. O painel “Agro Regenerativo: Quando Fazer o Bem Vira Vantagem Competitiva” simboliza essa mudança de paradigma, onde as práticas ambientais são vistas como oportunidades de valor no mercado internacional.
Conforme enfatiza Jank, a narrativa do evento está alinhada com as transformações do agronegócio brasileiro, que está transitando de um modelo focado em escala e produtividade para uma agenda mais complexa e integrada, englobando tecnologia, imagem internacional, governança e protagonismo geopolítico. “O SPIW será um espaço para discutir e explorar todas essas transformações”, conclui o colunista do Estadão.
