Crescimento alarmante de casos de queimaduras solares
Com a chegada da alta temporada de calor, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro intensifica o alerta sobre os cuidados essenciais com a pele. O aumento significativo nos atendimentos por queimaduras solares nas unidades de saúde é preocupante. Dados recentes indicam que, no último verão, foi mais do que evidente um crescimento superior a 100% nos casos registrados em comparação aos meses anteriores, ressaltando os riscos da exposição inadequada ao sol.
Entre os meses de novembro de 2024 e março de 2025, a média de atendimentos mensais por queimaduras solares chegou a 182, enquanto que, nos meses de janeiro a outubro do mesmo ano, a média foi de aproximadamente 88 atendimentos mensais. No total, mais de 900 pessoas procuraram a rede de saúde entre os meses mais quentes, superando o total de 882 atendimentos registrados nos dez meses anteriores.
— Durante o verão, a mobilização em torno da proteção solar aumenta devido aos dias ensolarados e à maior exposição ao sol. Contudo, é crucial lembrar que os cuidados com a pele devem ser contínuos ao longo da vida. A radiação ultravioleta se acumula ao longo do tempo e é um dos principais responsáveis pelo câncer de pele — explica a dermatologista Cristina Bernardes, da Gerência de Doenças Dermatológicas Permanentes da SMS.
Os riscos da exposição solar sem proteção
Além das queimaduras e do câncer de pele, a exposição excessiva ao sol pode agravar ou provocar diversas condições dermatológicas. Segundo a especialista Gabriela Oliveira, também integrante da gerência da SMS, a superexposição solar pode levar ao aparecimento de manchas, lesões, envelhecimento precoce da pele e ao agravamento de doenças como micoses e brotoeja.
— O uso de protetor solar é fundamental durante todo o ano, mesmo em dias nublados. A radiação ultravioleta está presente, mesmo quando não há sol — reforça a médica.
Dicas para proteção solar
As especialistas recomendam o uso diário de protetor solar com um Fator de Proteção Solar (FPS) de 30 ou mais, aplicado a cada duas horas e sempre após atividades aquáticas ou em casos de sudorese intensa. É importante não esquecer áreas frequentemente negligenciadas, como o couro cabeludo, nuca, orelhas, lábios, mãos e pés, que também precisam de proteção adequada.
Complementar a proteção com protetores labiais que contenham FPS, bonés, chapéus e óculos escuros com proteção contra raios UV é essencial para minimizar os danos causados pelo sol. Os horários mais seguros para a exposição solar são antes das 9h e após as 15h, quando os índices de radiação são consideravelmente menores.
Grupos de risco e cuidados especiais
Crianças, gestantes e idosos precisam de atenção especial. Desde os seis meses de idade, as crianças devem utilizar protetor solar diariamente, preferencialmente filtros físicos, além de roupas e acessórios que ofereçam proteção UV. Bebês com menos de seis meses não devem ser expostos diretamente ao sol.
As gestantes, por sua vez, também devem redobrar os cuidados, uma vez que estão mais propensas ao surgimento de manchas na pele durante a gestação. Hidratação é outro fator crucial, especialmente para esses grupos vulneráveis. Recomenda-se aumentar a ingestão de água e utilizar hidratantes corporais, principalmente após o banho, para manter a função de barreira da pele e evitar o ressecamento e irritações comuns durante o verão.
Quando buscar atendimento médico
Sinais de alerta como feridas que não cicatrizam, manchas ou pintas que coçam, sangram ou alteram sua aparência, assim como o aparecimento de novas lesões ou de crescimento acelerado, exigem uma avaliação médica.
A rede municipal de saúde do Rio oferece atendimento especializado em dermatologia, com encaminhamentos realizados pelas unidades de Atenção Primária. Em situações de urgência, os hospitais, UPAs e Centros de Emergência Regional (CERs) estão equipados para o atendimento. A unidade de referência mais próxima pode ser consultada no portal da Secretaria Municipal de Saúde, na página “Onde Ser Atendido”.
