A Utilização de Biocombustíveis nos Eventos de Rua Contribui para uma Festa Mais Sustentável
O agronegócio desempenha um papel fundamental na diminuição das emissões de carbono durante o carnaval, especialmente nas festividades de rua. A principal estratégia envolve a utilização de biocombustíveis em trios elétricos e geradores que animam os blocos nas principais cidades do Brasil.
Durante o carnaval de rua em São Paulo, os aproximadamente 630 blocos que desfilam exigem uma imensa estrutura de trios elétricos, caminhões e geradores, predominantemente movidos a diesel. Esse cenário resulta em emissões consideráveis de dióxido de carbono (CO₂) concentradas em poucos dias de festividade.
Segundo dados do GHG Protocol, cada um desses veículos consome em média 70 litros de diesel por percurso. Essa operação pode gerar mais de 100,8 toneladas de CO₂ apenas no período do carnaval, evidenciando o impacto ambiental temporário associado aos desfiles e a toda logística necessária para apoiar a folia nas ruas.
Com o diesel ainda como principal fonte de energia, o funcionamento contínuo desses equipamentos por várias horas contribui para a emissão de dióxido de carbono e outros poluentes em áreas densamente povoadas. Recentemente, a lei 15.082/2024, sancionada em outubro de 2024, determinou que todo o diesel comercializado no Brasil deve conter 15% de biodiesel (B15), o que significa que a maior parte do combustível utilizado ainda é de origem fóssil.
De acordo com cálculos realizados pela equipe de sustentabilidade da Binatural, uma produtora brasileira especializada em biodiesel, a utilização de biodiesel puro (B100) nos mesmos veículos poderia reduzir as emissões para cerca de 18,9 toneladas de CO₂. “Essa diferença representa uma redução de aproximadamente 81% nas emissões de gases de efeito estufa, podendo atingir até 90% se considerarmos os geradores. Isso equivale a evitar a liberação de quase 82 toneladas de carbono na atmosfera apenas durante o período carnavalesco”, destacou a Binatural.
Esses números revelam que grandes eventos urbanos podem ser verdadeiros laboratórios para a transição energética, alinhando celebrações populares com compromissos climáticos e diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, que incentiva soluções que já estão disponíveis.
O Brasil se destaca na produção de biocombustíveis e possui uma capacidade instalada que supera a demanda atual, permitindo o aumento do uso de biodiesel em diversas aplicações, como transporte urbano e geração temporária de energia, sem a necessidade de novos investimentos em infraestrutura. Esse contexto reforça o potencial de iniciativas que promovem o uso do B100 em grandes eventos.
André Lavor, CEO e cofundador da Binatural, ressaltou que a incorporação do biodiesel de forma ampla nos trios elétricos e geradores é uma oportunidade de aliar tradição, impacto econômico e responsabilidade ambiental. “É uma solução nacional, de rápida aplicação, que pode reduzir significativamente as emissões sem requerer mudanças estruturais complexas”, informou.
Nos últimos anos, o governo brasileiro tem intensificado ações para acelerar a transição energética e diminuir as emissões de gases de efeito estufa, com ênfase na Lei do Combustível do Futuro. Essa iniciativa estabelece um cronograma para aumentar gradualmente a participação de biocombustíveis na matriz energética, ampliando a mistura de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, além de incentivar novas tecnologias como o combustível SAF (sustentável de aviação) e o biometano.
Esse movimento abre oportunidades diretas para o agronegócio no Brasil, já que a crescente demanda por biocombustíveis tende a elevar o consumo de matérias-primas agrícolas, como cana-de-açúcar, milho, soja e resíduos da pecuária. Dessa forma, os produtores rurais podem expandir suas produções, diversificar suas fontes de renda e integrar novas cadeias de valor relacionadas à energia de baixo carbono.
Simultaneamente, o setor agroindustrial encontra espaço para investir em tecnologia, inovação e aumento da produtividade, consolidando sua importância na construção de uma economia mais sustentável.
A estratégia global do Brasil inclui a ampliação de mercados e o fortalecimento da imagem do biodiesel brasileiro no exterior, com metas estabelecidas até 2026. A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) está liderando essa iniciativa, definindo a atuação internacional como uma prioridade para o ano.
Jerônimo Goergen, presidente da APROBIO, afirmou que o país possui um produto competitivo que pode atender tanto o mercado interno quanto o externo. “O biodiesel já se tornou uma marca do Brasil no setor de combustíveis renováveis. Durante o ano, planejamos ações focadas na abertura de mercados e no posicionamento do biodiesel brasileiro no cenário global”, finalizou.
A Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina, também anunciou planos de investir R$ 7 bilhões em novas unidades no Brasil até 2026, ampliando sua atuação no setor de biocombustíveis. Renato Teixeira, diretor de Comunicação e Marketing da empresa, destacou que o biocombustível elaborado a partir do milho safrinha é uma ferramenta essencial para a descarbonização global. “O etanol de milho, assim como o etanol de cana, é um produto extremamente sustentável, pronto para ser utilizado no processo de descarbonização do mundo”, concluiu.
