Aumento dos Casos de Sarampo e a Necessidade de Vacinação
Os registros de 38 casos de sarampo em 2025, afetando tanto adultos quanto crianças, além de dois casos em 2026, todos importados de outros países, demonstram o crescente risco de reintrodução da doença no Brasil. Esse alerta não é novidade; em 2019, o país enfrentou 12 meses de transmissão contínua do vírus, o que levou à revogação do certificado de eliminação obtido em 2016. Naquela ocasião, a reintrodução do vírus foi atribuída a baixas taxas de vacinação, especialmente em regiões que concentram grupos de pessoas não imunizadas, somada à chegada de indivíduos não vacinados do exterior.
Desde então, os índices de vacinação melhoraram consideravelmente, especialmente ao se comparar aos anos de 2020 e 2021, períodos críticos da pandemia de Covid-19. Contudo, o Brasil ainda não atingiu a meta de 95% de cobertura para as duas doses da vacina tríplice viral, que não apenas protege contra o sarampo, mas também contra a caxumba e a rubéola. Essa situação deixa o país vulnerável, particularmente em um cenário de alta circulação do vírus em nações vizinhas.
Cenário Epidemiológico nas Américas
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), entre 2025 e a segunda semana de 2026, foram confirmados 15.922 casos de sarampo nas Américas, representando um aumento alarmante de 32 vezes em relação ao ano anterior. A maioria dos casos (quase 95%) ocorreu nos Estados Unidos, México e Canadá, que sediarão a próxima Copa do Mundo em junho de 2026, evento que deverá atrair cerca de 7 milhões de pessoas, incluindo muitos brasileiros. A Bolívia, responsável por uma recente onda de casos no Brasil, ocupa o quarto lugar no ranking dos países com maior incidência da doença.
Medidas Necessárias para Prevenir Surto
Para evitar surtos e preservar o status de eliminação do sarampo, é crucial implementar ações em três frentes: aumentar a taxa de vacinação, intensificar a vigilância epidemiológica e estabelecer respostas rápidas a casos suspeitos. Apesar de sempre haver espaço para melhorias, é importante reconhecer os esforços do Ministério da Saúde nos últimos anos.
A pasta tem promovido diversas campanhas de multivacinação visando atualizar a caderneta de crianças e adolescentes, além de realizar busca ativa por não vacinados, vacinação em escolas e iniciativas de comunicação, essenciais para aumentar a adesão à vacinação. A presença digital tem se fortalecido, utilizando uma linguagem mais acessível ao público jovem, e o personagem Zé Gotinha tem participado ativamente de eventos e campanhas nas redes sociais.
Eficiência nas Ações de Identificação e Resposta
A identificação e a resposta a casos de sarampo também têm se mostrado efetivas. Por exemplo, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou uma equipe para o município de Campos Lindos, no Tocantins, que registrou aproximadamente 60% dos casos de sarampo no Brasil em 2025. O trabalho conjunto com as equipes locais, que envolveu a identificação de comunicantes e a vacinação em bloqueio, foi fundamental para evitar a ampliação da transmissão. Medidas semelhantes foram implementadas em outros surtos da doença.
Historicamente, o sarampo já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no Brasil, mas a doença foi progressivamente controlada a partir da década de 1990, sendo erradicada em duas ocasiões: 2016 e 2024. Com a sua alta contagiosidade — uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas susceptíveis —, o risco de reintrodução continua sendo uma preocupação séria.
A Importância da Vacinação
A vacinação permanece a principal estratégia de prevenção contra o sarampo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina de forma gratuita, em duas doses, para crianças a partir de 12 meses, além de adultos com menos de 30 anos. Para aqueles na faixa etária de 30 a 59 anos, uma dose é disponibilizada. Indivíduos que não têm certeza sobre seu histórico vacinal devem regularizar suas vacinas conforme a idade. Além de proteger a própria saúde, a vacinação é um ato de solidariedade, essencial para proteger aqueles que não podem ser vacinados, como crianças menores de 6 meses e indivíduos imunodeprimidos.
