A Importância da Polarização no Debate Democrático
A narrativa predominante na mídia indica que o Brasil enfrenta sérios problemas políticos, atribuídos à tal “polarização”. No entanto, essa é uma afirmação que merece análise crítica. Todas as ideias devem passar por um exame lógico, avaliação moral e verificação da realidade. Para tal, é fundamental considerar as condições que validam ou refutam tais afirmações, bem como suas potenciais consequências.
O método conhecido como maiêutica, que se baseia em perguntas sequenciais diante de perspectivas opostas, requer a existência de polaridades de pensamento e atitude. Logo, não é possível avaliar ideias e assumir posturas sem confrontar discursos que desafiem, se oponham e, por consequência, formem polos divergentes em suas referências. A questão central é que, sem polarização, a vida se torna monótona e sem nuances.
Desmistificando a Polarização
O verdadeiro problema não reside na polarização em si, mas sim no uso da força para silenciar pensamentos e debates. Uma democracia saudável deve acolher a polarização e ao mesmo tempo combater o abuso de poder. Enquanto a mídia critica a “polarização”, acaba por defender práticas que limitam a liberdade de expressão. A mensagem que se impõe é a de aceitação e conformismo: sem questionamentos, sem propostas, sem críticas. Assim, a culpabilização dos que estão em posições divergentes se torna a norma.
Não há crime em politizar opiniões. O verdadeiro crime seria ocultar a política para justificar posturas que perpetuam a dominação de um grupo sobre outro. A política é essencial para garantir a equidade, um conceito que, lamentavelmente, tem sido ignorado e que embasa a ética em todas as profissões da saúde. Quando a discussão política é cerceada, correndo o risco de se tornar um crime, as profissões da saúde podem se converter em ferramentas de opressão e controle.
A Necessidade de Debate Político nas Profissões da Saúde
A esquerda política frequentemente ressalta que não deve haver conflito de interesse ao se discutir questões políticas — sejam elas relacionadas a indivíduos, profissões, países ou partidos. O que se requer, em qualquer discussão, é a honestidade dos argumentos e a clareza das fontes utilizadas. No contexto da medicina, é imprescindível que se respeitem as informações científicas e confiáveis. A política, portanto, não deve ser vista como um desvio ou desrespeito.
Os que cometem crimes e desrespeitos tendem a criminalizar, inicialmente, a política. Grupos fascistas se aproveitam da liberdade de expressão e da ação política para corroer a democracia e silenciar as vozes que contestam suas ações violentas. Essa repressão à pluralidade política não é uma prática da esquerda quando se apresenta de forma legítima e democrática, contando com a confiança e participação ativa da população.
Equidade na Saúde: Um Imperativo Moral
A equidade é um princípio filosófico e moral fundamental que sustenta o Sistema Único de Saúde (SUS). Buscar um equilíbrio dentro de um sistema de saúde desigual, que explora o trabalho — inclusive de profissionais de saúde —, é um desafio que pode ir contra uma lógica de “cale-se ou será eliminado”. Portanto, um pensamento polarizado, longe de ser um obstáculo, pode ser uma necessidade para fomentar discussões produtivas.
Num cenário onde a política e a saúde se entrelaçam, a promoção do debate crítico é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Assim, reverter a ideia de que a polarização é o mal da política brasileira pode ser um passo importante para revitalizar a democracia e fortalecer as instituições de saúde.
