Diretrizes sobre o Uso de Inteligência Artificial nas Universidades Brasileiras
No cenário atual, o debate sobre o uso de inteligência artificial (IA) no ambiente educacional está se intensificando. O Conselho Nacional de Educação (CNE) está em vias de criar diretrizes nacionais para o uso da IA, abrangendo todas as etapas do ensino público e privado. Até a última atualização, na segunda-feira (16), o parecer ainda estava em discussão, aguardando as últimas recomendações do Ministério da Educação (MEC). A expectativa é que o texto seja votado nos próximos dias e, posteriormente, encaminhado para consulta pública.
Enquanto isso, diversas universidades públicas brasileiras estão adotando uma abordagem proativa, elaborando manuais que estabelecem regras para o uso da IA no contexto acadêmico. Na semana passada, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou um guia que orienta alunos e professores sobre as práticas permitidas e proibidas relacionadas ao uso dessa tecnologia.
O que é Permitido e Proibido?
O guia da Unesp categoriza as práticas em três segmentos: o que pode, o que não pode e o que depende. Entre as permissões, destacam-se atividades como traduzir textos, revisar gramática e ortografia, além de criar esboços e roteiros. Também é permitido gerar imagens e até desenvolver jogos educativos, contanto que os conteúdos sejam revisados.
Por outro lado, o uso indevido da IA, como submeter trabalhos como se fossem originais, praticar plágio ou utilizar a tecnologia em provas sem autorização, é estritamente proibido. O professor Denis Salvadeo, um dos autores do guia, enfatiza a importância da originalidade no trabalho acadêmico, ressaltando que a IA deve servir como apoio, não como substituto da criatividade e do esforço do aluno.
Diretrizes da Unifesp e UFBA
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também se posicionou sobre o tema, aprovando um documento que estabelece regras específicas para a pós-graduação. De acordo com Luiz Leduíno de Salles Neto, docente do ICT/Unifesp, a nova abordagem busca trazer clareza sobre o que é aceitável no uso da IA. A transparência é um dos pilares, sendo exigido que o autor indique onde e como a IA foi utilizada em seu trabalho.
Da mesma forma, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) lançou um guia focado no uso ético e responsável da IA. O documento destaca a necessidade de que os professores especifiquem quais práticas são permitidas em suas disciplinas. Adriano Peixoto, professor da UFBA, ressalta que entregar um texto gerado pela IA sem a devida reflexão e análise não contribui para o aprendizado do estudante.
A Importância da Supervisão Humana
As diretrizes gerais entre as universidades brasileiras convergem no ponto de que a IA deve atuar como uma assistente e não como uma substituta da análise humana. O guia da Unifesp destaca que a tecnologia deve complementar as capacidades humanas, e não substituí-las de forma indiscriminada. Márcia Azevedo Coelho, pesquisadora da USP, alerta sobre a necessidade de uma análise crítica das respostas geradas por IA, enfatizando que as máquinas não são neutras e têm suas próprias visões de mundo.
Desafios e Transparência na Avaliação
A Universidade Federal do Ceará (UFC) também se manifestou sobre o tema, proibindo a redação de seções substantivas de trabalhos de pesquisa por meio da IA. A portaria da UFC estabelece que os trabalhos de pós-graduação devem ser submetidos a sistemas de verificação, embora especialistas alertem que essas ferramentas não são infalíveis.
Tadeu da Ponte, especialista em IA, sublinha que a presença de guias e manuais não é suficiente sem uma mudança cultural no ambiente acadêmico. O uso da IA não deve ser visto como um sinal de preguiça por parte dos alunos, mas como uma oportunidade de aprendizado e desenvolvimento de habilidades críticas.
Propostas para o Futuro da Educação com IA
Para o futuro, Tadeu da Ponte sugere que a educação superior adote exercícios que simulem práticas profissionais, utilizando a IA de forma construtiva. Em vez de provas tradicionais, atividades que envolvam interações com a IA poderiam ser mais esclarecedoras e interessantes, permitindo que os alunos desenvolvam suas competências de maneira mais efetiva.
