Mudanças nos Procedimentos de Inspeção da Soja
Na última sexta-feira, o Ministério da Agricultura anunciou alterações significativas nos procedimentos para a certificação fitossanitária das cargas de soja destinadas à China. Essas modificações surgem em meio a uma paralisação na originação do grão pelas grandes tradings, que ocorreu na semana anterior devido a dificuldades em atender às exigências estabelecidas.
A nova regra determina que as amostras a serem inspecionadas sejam coletadas pelas supervisoras contratadas pelos exportadores, em vez de serem retiradas pelos fiscais agropecuários do ministério. Essas supervisoras são responsáveis pela inspeção nos portos, o que, segundo as tradings, torna o processo mais representativo, já que as amostras coletadas pelos fiscais muitas vezes não refletiam a qualidade total do carregamento destinado ao mercado chinês.
Apesar da nova abordagem, um a cada dez embarques, ou seja, 10% das cargas ainda terá as amostras coletadas diretamente pelos fiscais agropecuários. Essa informação foi confirmada em ofício da Secretaria de Defesa Agropecuária, datado de 13 de março, que foi consultado pela reportagem de The AgriBiz. A implementação das novas regras deve ocorrer imediatamente para todos os carregamentos que ainda não tiveram as amostras coletadas para análise laboratorial.
Expectativas e Implicações das Novas Normas
Um agente que prefere manter o anonimato, ao acompanhar de perto as negociações entre as tradings e o governo, afirma que a recentíssima mudança não deve afetar a eficácia das análises realizadas. Contudo, é importante ressaltar que, em uma série de 23 navios inspecionados sob as regras anteriores, sete deles foram reprovados por conterem pragas vetadas pela China. Até o momento, não se tem um plano claro sobre como proceder com essas cargas.
A polêmica em torno das novas diretrizes começou a ganhar destaque quando o presidente da Cargill na América Latina, Paulo Sousa, revelou à Reuters que a empresa havia interrompido as exportações de soja para a China e a originação do grão na produção. Essa ação se deu devido às dificuldades enfrentadas para obter os certificados fitossanitários exigidos pelas autoridades chinesas. Outras grandes tradings, seguindo a mesma tendência, também paralisaram as compras de soja junto aos produtores, o que levanta preocupações sobre o impacto no mercado.
Tensões entre o Governo e as Tradings
As tensões entre o governo e as tradings aumentaram ainda mais após a declaração do Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Em uma entrevista à CNN, Fávaro criticou abertamente a Cargill, chamando a empresa de irresponsável por sua postura. Ele negou que houvesse mudanças nos procedimentos de exportação, mas, na sequência, a alteração foi anunciada, permitindo que as supervisoras realizassem as coletas de amostras.
Para discutir as novas diretrizes e suas implicações para o setor, o ministro se reunirá na tarde desta segunda-feira com representantes da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) em Brasília. Essa reunião é vista como uma oportunidade crucial para alinhar as expectativas e buscar soluções que atendam tanto às exigências do governo quanto às necessidades do setor produtivo.
