Cenário Atual da Conectividade nas Escolas
O Brasil registrou um aumento significativo na conectividade das escolas públicas, com 72% das instituições agora possuindo conexão adequada à internet. Contudo, esse avanço vem acompanhado de um desafio: cerca de um terço das escolas públicas ainda não conta com a infraestrutura necessária para fornecer acesso à web. Os dados, divulgados pelo governo de Lula (PT), apontam que esse percentual subiu de 43% em 2023 para 72% em março de 2024.
Entretanto, as disparidades regionais são marcantes. Em estados da região Norte, como Amazonas, Acre, Roraima e Amapá, os índices de conectividade variam bastante, alcançando entre 30% e 58%. Enquanto isso, São Paulo apresenta um dos piores desempenhos do país, com 64% das escolas adequadas, segundo informações do Ministério da educação (MEC). Em contrapartida, Paraná e Piauí lideram o ranking com 86% e 84% de conectividade, respectivamente.
Compromissos e Iniciativas do Governo
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Aumentar a conectividade nas escolas públicas é uma das promessas do presidente Lula desde o início de seu mandato. Em 2023, o governo lançou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que visa universalizar o acesso à internet nas instituições de ensino. Para medir a qualidade da conexão, o MEC introduziu um novo indicador que classifica as escolas em cinco níveis, considerando não apenas a presença de internet, mas também a qualidade e a velocidade do serviço.
Atualmente, 99 mil escolas estão em níveis considerados adequados para uso pedagógico (níveis 4 e 5), enquanto 39 mil permanecem fora dos padrões estabelecidos. Dentre estas, 7.300 escolas, ou 5%, carecem tanto de uma conexão adequada quanto de Wi-Fi. Dentre as que atendem aos requisitos, 16,3 mil têm boa velocidade, mas não contam com uma rede Wi-Fi suficiente, enquanto as 82,6 mil restantes estão no nível mais alto, com internet e Wi-Fi adequados.
Desafios e Recursos Disponíveis
Apesar dos avanços, vários desafios permanecem para a implementação pedagógica da tecnologia nas escolas. De acordo com dados do Censo Escolar, menos da metade das escolas públicas (46%) possui um número adequado de computadores. Além disso, uma em cada três instituições não possui dispositivos disponíveis para os alunos. A CEO da MegaEdu, Cristieni Castilhos, destaca que apesar dos avanços, a situação ainda é desafiadora, especialmente na região Norte, que historicamente apresenta defasagens.
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Fonte: ctbanews.com.br
O painel do MEC revela que 62,5% das escolas na região Norte têm conectividade adequada, uma melhora significativa em comparação com os 23,6% registrados em 2023. Porém, um fator crítico é a inexecução de R$ 1,97 bilhão, oriundo de uma lei de 2021 destinada à conectividade escolar. Esse valor, que totalizou R$ 4,1 bilhões com rendimentos, está em risco de retornar ao Tesouro se não for utilizado até o final do ano.
Situação nos Estados
Metade do saldo disponível está concentrada em quatro estados: Rio de Janeiro (R$ 271,5 milhões), Minas Gerais (R$ 262,8 milhões), Amazonas (R$ 159,5 milhões) e Maranhão (R$ 141,3 milhões). O governo do Rio de Janeiro informou que planeja usar metade dos recursos para adquirir chromebooks e a outra metade para melhorar a conexão Wi-Fi nas escolas. Em Minas Gerais, as autoridades alegam ter executado cerca de R$ 151 milhões, contestando os dados federais ao afirmar que apenas R$ 4,3 milhões estariam disponíveis.
A Secretaria de Educação de São Paulo, por sua vez, afirmou que está priorizando o tema e reforça que, segundo o Censo, 98,5% das escolas devem estar conectadas até 2025. A pasta de Educação do Acre também revelou que está otimizada o uso de recursos públicos e que sua meta é alcançar 85% de cobertura da rede estadual até 2026.
A Importância da Conexão e o Futuro da Educação
Para o professor Nelson Pretto da Universidade Federal da Bahia (UFBA), é essencial manter o foco na conectividade das escolas, especialmente em tempos de crescente uso da inteligência artificial e da restrição ao uso de celulares. “A conexão deve ser pensada com soluções livres e uma governança de dados que envolva o debate amplo nas escolas”, destaca. Ele enfatiza que a internet deve ser um espaço construtivo, onde professores e alunos possam ser os autores do conteúdo. Uma mobilização nacional pela informação é, portanto, fundamental.
Castilhos também reforça que a tecnologia deve ser introduzida na sala de aula com propósito e instrução pedagógica para que tenha um impacto positivo na educação.
