Desafios e Avanços na Qualidade da Educação Infantil
No cenário educacional brasileiro, a busca pela melhoria da qualidade na Educação Infantil tomou novo impulso com a divulgação do estudo Iels, em colaboração com a OCDE. Este estudo enfatiza não apenas a importância do acesso ao ensino, mas também a necessidade de garantir que esse ensino seja de qualidade. Os dados obtidos revelam que, enquanto o Brasil se aproxima da média internacional em literacia emergente, ainda apresenta um desempenho inferior em numeracia emergente. Portanto, o grande desafio que se impõe é elevar a educação infantil, priorizando a qualidade e a equidade, sustentando-se em políticas integradas e no esforço conjunto das esferas governamentais.
A divulgação dos resultados do Iels, que é parte do International Early Learning and Child Well-being Study, representa um avanço significativo na orientação dos tomadores de decisão sobre a urgência de construir uma Educação Infantil que realmente atenda às necessidades das crianças. Essa iniciativa global da OCDE foi aplicada no Brasil por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, e gera evidências essenciais sobre a aprendizagem e o desenvolvimento de crianças de cinco anos, além das condições necessárias para a educação infantil.
A Importância do Acesso e da Qualidade
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Embora o debate público sobre Educação Infantil no Brasil ainda esteja focado, em grande parte, na garantia do acesso a creches e pré-escolas, é vital que essa discussão evolua. O Plano Nacional de Educação estabelece metas ambiciosas, como oferecer acesso a pelo menos 60% das crianças na faixa etária de 0 a 3 anos e universalizar a pré-escola. Contudo, a iniciativa deve se expandir com um compromisso firme em garantir a qualidade desse ensino. Monitorar a porcentagem de crianças na educação infantil em cada município é um passo necessário, mas não suficiente. É fundamental que gestores e a sociedade civil também avaliem a qualidade das instalações, as interações nas salas de aula e os resultados de aprendizagem das crianças.
Os resultados da aplicação do Iels, divulgados recentemente, oferecem uma perspectiva abrangente sobre os desdobramentos da Educação Infantil no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. Em termos de literacia emergente — habilidades fundamentais para a leitura —, o Brasil apresenta um desempenho de 502 pontos, ligeiramente acima da média dos países participantes. Entretanto, no que se refere à numeracia emergente, que analisa as competências matemáticas, o país obteve 466 pontos, o que corresponde a 44 pontos a menos que a média internacional. Essa diferença ilustra uma parte significativa do progresso em alfabetização e destaca a dificuldade em melhorar os resultados em matemática nas etapas educacionais subsequentes.
Dimensões do Desenvolvimento e Desafios Futuros
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O estudo também amplia a análise para diversas dimensões que influenciam as aprendizagens futuras. Os dados mostram um desempenho satisfatório em relação ao reconhecimento das emoções, enquanto nas funções executivas — que incluem habilidades como atenção, memória e adaptação a novas instruções — o Brasil se encontra aquém da média mundial. A revisão sistemática feita pela Fundação Bracell, intitulada “O que sabemos sobre os efeitos da Pré-Escola no Brasil”, identificou que 63% das intervenções analisadas focaram em literacia ou linguagem, enquanto apenas 9% abordaram numeracia e 3% habilidades socioemocionais. Essa realidade evidencia a necessidade de não apenas avaliar, mas também de desenvolver pesquisas e análises que promovam ações concretas para melhorar as áreas que se mostraram mais desafiadoras.
É crucial ressaltar que as pesquisas disponíveis indicam que a desigualdade no Brasil se manifesta desde muito cedo. Para avançar em qualidade e equidade na Educação Infantil, será imprescindível unir esforços políticos em todas as esferas de governo. Assim como em outras etapas da educação básica, o Brasil pode se inspirar em suas próprias experiências. Políticas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada demonstraram resultados positivos ao priorizar a educação, promover uma governança eficaz e garantir ampla adesão dos entes federados.
Rumo a um Futuro Melhor na Educação Infantil
O recém-estabelecido Compromisso Nacional pela Qualidade de Equidade na Educação Infantil (Conaquei), baseado em normas que buscam implementar padrões de qualidade nas redes de ensino, pode ser um ponto de partida para ações coordenadas visando tanto a ampliação do acesso quanto a garantia de qualidade. A Política Nacional Integrada para a Primeira Infância também surge como uma proposta inovadora, unindo políticas de educação, saúde e assistência social para as crianças, um desafio em um país com a complexidade e a diversidade do Brasil.
A Educação Infantil é, sem dúvida, o alicerce fundamental para a construção de uma escola pública de qualidade, representando uma das decisões mais estratégicas para o futuro do país. Avançamos em marcos normativos e no fortalecimento de dados e diagnósticos, mas é essencial que essa questão se torne uma prioridade política, com o devido suporte orçamentário e políticas eficazes para promover um real impacto na vida das crianças brasileiras.
