Atendimento de emergência psiquiátrica no Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto
O bancário Joaquim Cavalcanti, de 37 anos, buscou ajuda pela primeira vez na emergência do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade vinculada à Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), após enfrentar uma crise intensa de pânico e ansiedade. Ele relata que chegou ao hospital sem conseguir controlar os sintomas físicos e emocionais que o acometiam, como falta de ar e taquicardia.
“Eu sentia falta de ar, taquicardia e um medo muito grande de morrer. Achei que estava tendo um problema grave de saúde. Quando cheguei ao hospital, fui acolhido pela equipe e consegui receber atendimento rapidamente. Depois da avaliação, fui encaminhado para acompanhamento psicológico e psiquiátrico”, conta Joaquim.
Casos e atendimento na emergência psiquiátrica
O Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto mantém atendimento de emergência psiquiátrica 24 horas por dia para acolher pacientes em situações agudas de sofrimento mental. Em 2025, a unidade já registrou 22.223 atendimentos, o que representa uma média mensal de 1.852 pacientes. O número de internações chegou a 2.250 no mesmo período.
De janeiro a abril deste ano, foram atendidas 7.877 pessoas na emergência, que buscaram assistência especializada para diversos transtornos, como os relacionados ao uso de múltiplas drogas e substâncias psicotrópicas, transtornos ansiosos, transtorno afetivo bipolar, psicose não orgânica, episódios depressivos, esquizofrenia, transtornos específicos de personalidade, além de condições decorrentes do uso de álcool e cocaína.
Acolhimento humanizado e atuação da equipe multidisciplinar
A enfermeira Ana Paula Gomes, que atua na emergência do HSM, destaca a importância do acolhimento humanizado para reduzir o estigma que ainda existe em relação à procura por atendimento psiquiátrico de urgência. Segundo ela, a equipe multiprofissional está preparada para ouvir os pacientes e seus familiares, buscando a melhor solução para cada caso.
“Nem todo paciente atendido na emergência precisa de internação. No ano passado, cerca de dez por cento dos pacientes necessitaram internar. Muitos são encaminhados para ambulatórios, plantão psicológico, hospitais-dia e Centros de Atenção Psicossocial (Caps)”, explica Ana Paula.
Funcionamento da emergência e equipe médica
Ao chegar à emergência, o paciente faz a abertura da ficha de atendimento no Núcleo de Atendimento ao Cliente (NAC). Em seguida, passa pelo acolhimento com classificação de risco realizada pela equipe de enfermagem, que coleta informações iniciais e avalia a queixa apresentada.
Após essa triagem, o paciente é classificado conforme o nível de gravidade, utilizando um sistema de cores adotado pelo serviço, e aguarda o atendimento psiquiátrico. A coordenadora médica da emergência, psiquiatra Raquel Garcia, informa que o plantão conta com dois a três médicos psiquiatras, além de residentes da especialidade.
“A unidade dispõe de seis leitos de observação para casos mais agudos e instáveis, que necessitam de monitoramento próximo. Nesses leitos, os pacientes permanecem em observação enquanto aguardam definição de conduta ou vaga para internação, quando indicada”, detalha a médica.
Quando buscar a emergência psiquiátrica?
O atendimento de urgência em saúde mental é indicado para situações de sofrimento psíquico agudo grave, transtornos psiquiátricos crônicos descompensados, alterações graves de comportamento ou risco para si e para outras pessoas, incluindo casos de agressividade e risco de suicídio. Procurar ajuda adequada pode garantir um acompanhamento seguro e prevenir desdobramentos mais graves.
