Tecnologia e organização impulsionam o agronegócio no Ceará
Durante cinco dias de intensa agenda na Holanda, país conhecido por grande parte de seu território estar abaixo do nível do mar e por sua avançada infraestrutura hídrica, uma equipe cearense da Missão Técnica Abid/Faec observou um modelo agrícola que pode transformar o futuro do agronegócio no Ceará. O que ficou claro é que o diferencial não está na extensão da terra, mas na capacidade de integrar tecnologia, produtividade e organização econômica para produzir mais com menos água e terra, extraindo o máximo de cada metro quadrado cultivado.
A chamada greenhouse, ou cultivo protegido, vai muito além de simples estufas. Como ressaltou o secretário do Desenvolvimento Econômico (SDE), Fábio Feijó, trata-se de um sistema agrícola altamente tecnológico, que controla variáveis como temperatura, umidade, irrigação, luminosidade e nutrição das plantas. Tudo isso é monitorado por sensores, automação, softwares e conhecimento científico aplicado, garantindo qualidade superior na produção.
O modelo holandês como referência para o Ceará
Os Países Baixos, apesar de seu território pequeno, clima desafiador e alto custo de mão de obra, se tornaram uma potência mundial na produção e exportação de flores, hortaliças, frutas e tecnologias agrícolas. Essa força vem não só da tecnologia, mas da organização da cadeia produtiva em clusters econômicos, que juntam produtores, fornecedores, centros de pesquisa, universidades, logística e compradores em regiões concentradas. Essa estrutura reduz custos, acelera inovações e consolida uma reputação internacional de qualidade.
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O time cearense identificou que a Holanda enfrenta algumas limitações para ampliar esse modelo internamente, como a escassez de áreas economicamente viáveis, aumento no custo da energia e mão de obra qualificada, mas cara. Por isso, investidores holandeses já expandem a tecnologia para países africanos, como Marrocos, Turquia e Tunísia, demonstrando o potencial de internacionalização do sistema.
Oportunidades estratégicas para o Ceará no mercado europeu
Para o Ceará, essa realidade abre uma chance concreta de crescimento no agronegócio. O estado possui áreas disponíveis, vocação agrícola, localização estratégica no Atlântico, potencial em energia renovável e um câmbio favorável para investidores europeus. Além disso, a parceria institucional com o Porto de Roterdã, por meio do Complexo do Pecém, fortalece a logística e aproxima o Ceará do mercado europeu, facilitando a exportação de produtos de maior valor agregado.
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Outro fator importante é o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, que pode ampliar as oportunidades comerciais para o Ceará, fortalecendo a integração produtiva com a Europa. Isso significa que o estado pode deixar de ser apenas consumidor de tecnologia agrícola para se tornar uma plataforma de produção, inovação e exportação, consolidando sua posição no cenário global do agronegócio brasileiro.
