Cariri e sua cultura ganham destaque na Fenacce
Na 8ª edição do Festival Nacional de Artesanato e Cultura do Ceará (Fenacce), realizada em Fortaleza, os saberes e a identidade do Cariri cearense ganharam uma vitrine de expressão nacional. Artesãos da região mostraram a diversidade da produção local, levando para o evento produtos que carregam as cores, formas e tradições do território.
Emanuella Philipona Araújo, designer de acessórios do Cariri, destacou a relação íntima entre seu trabalho e a região onde vive. Inspirada pela natureza e pela tranquilidade do lugar, ela traduz em suas peças a essência da paisagem local. “Do Cariri vem a natureza que nos rodeia e inspira através das cores. A paz do lugar me conecta com o meu melhor, que acaba indo em cada peça que produzo”, comenta.
Do Direito ao Artesanato: uma trajetória de conexão com o Cariri
Antes de se dedicar ao artesanato, Emanuella atuava na advocacia, profissão que não a satisfazia. O interesse pelo trabalho manual surgiu quando começou a criar acessórios para uso pessoal. O reconhecimento das peças por outras pessoas a motivou a transformar o hobby em negócio. “Não estava feliz na advocacia e resolvi fazer algo que fizesse meus olhos brilharem. Foi aí que surgiram os trabalhos artesanais. Os acessórios vieram quando comecei a produzir pra mim e começaram a me perguntar se eu fazia pra vender. Foi aí que surgiu a ideia de empreender”, relata.
Fenacce como espaço de ampliação para o artesanato regional
A participação em uma feira de grande porte como a Fenacce representa uma oportunidade para os artesãos do Cariri apresentarem seus produtos a novos públicos e estabelecerem contatos comerciais. Para Emanuella, o evento funciona como um termômetro para avaliar a aceitação do mercado e reforçar o protagonismo feminino no empreendedorismo artesanal. “Uma feira desse porte abre a mente, facilita a divulgação e a gente consegue novos contatos. Isso serve de termômetro para sabermos se o nosso produto tem diferencial e se encanta o público, além de fortalecer o crescente público feminino à frente do empreendedorismo”, destaca.
Além da designer, outros artistas da região marcaram presença, como a ceramista Ana Estela Braga Duarte e a artista Danielle Anastácia Santos Silva, que trabalha com azulejos. Eles expressam diferentes formas de transformar referências do Cariri em produtos artesanais, levando para Fortaleza parte da produção cultural e criativa da região.
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Fonte: olhardanoticia.com.br
Cerâmica como narrativa cultural no trabalho de Ana Estela
A trajetória de Ana Estela com o artesanato começou ainda na graduação em design pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), quando participou de projetos que valorizavam a cultura regional. A cerâmica surgiu depois como uma forma de expressão profunda. “A cerâmica chegou há alguns anos e foi tomando um espaço cada vez maior na minha vida. Comecei experimentando, aprendendo, errando, pesquisando e, aos poucos, percebi que o barro não é apenas uma matéria-prima: é uma linguagem. Hoje, a cerâmica é meu trabalho e também uma forma de contar histórias”, conta.
Seu ateliê não só produz peças, mas também oferece aulas e oficinas para compartilhar o fazer manual. As criações carregam referências diretas do Cariri: Chapada do Araripe, biodiversidade, plantas, animais, fósseis, assim como elementos da cultura popular e da religiosidade local, como o Coração Santo e o Reisado.
“Existe muito do Cariri em tudo que faço. Não apenas nas referências que aparecem desenhadas ou modeladas nas peças, mas na maneira como eu enxergo e conto essas histórias. Tenho uma relação muito forte com a Chapada do Araripe, com a biodiversidade, as plantas, os animais, os fósseis, as paisagens e também com a cultura popular e a religiosidade do nosso povo”, observa.
Artesanato e autonomia feminina no Cariri
Para Ana Estela, o artesanato vai além da criação de objetos. Suas peças são pequenas narrativas do território, transformando o uso e a decoração em histórias vivas do Cariri. “O Coração Santo, as casinhas, o Reisado, o Soldadinho do Araripe, as samambaias… tudo isso vai encontrando espaço no meu trabalho. Gosto de pensar que minhas peças carregam pequenos fragmentos do lugar de onde venho”, explica.
O festival Fenacce oferece para ela e outras mulheres artesãs um espaço de afirmação profissional e artística. “É muito mais do que vender peças. É ocupar espaço, apresentar meu trabalho, criar conexões e mostrar que o artesanato pode ser profissão, pode gerar renda e pode ser também uma potente forma de expressão artística”, ressalta.
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Fonte: atividadenews.com.br
Transformar o conhecimento manual em negócio representa para essas mulheres uma conquista de autonomia e uma movimentação econômica local. “E quando uma mulher consegue transformar aquilo que sabe fazer com as próprias mãos em um negócio, ela conquista autonomia, movimenta a economia e abre caminho para outras mulheres também. Eu acredito muito nessa força coletiva”, afirma Ana Estela.
Ela destaca ainda a dimensão coletiva do artesanato, que conecta sua produção a uma rede de histórias, mãos e cultura regional. “Cada peça que sai do meu ateliê leva um pouco da minha história, mas também leva a história de muitas mãos, de um território e de uma cultura que merece ser valorizada”, conclui.
Fenacce: encontro nacional que celebra a cultura e o artesanato brasileiro
O Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, recebeu a 8ª Fenacce, que reúne artesãos dos 26 estados e do Distrito Federal. O festival integra artesanato, cultura, música, gastronomia e negócios, com o tema “Cultura que transforma”. O evento é uma plataforma para lançamentos nacionais e internacionais, aproximando produtores de setores como varejo, food service e hotelaria.
Durante os dez dias de programação, o público teve acesso a produtos que refletem a diversidade cultural e os saberes tradicionais do Brasil. A iniciativa busca fortalecer o artesanato e a cultura enquanto atividades econômicas sustentáveis, promovendo a geração de renda, a valorização dos profissionais e o desenvolvimento da economia criativa.
Além disso, o festival movimenta uma cadeia produtiva que envolve comércio, turismo, gastronomia, serviços e eventos, ampliando o impacto cultural e econômico para a região.
