Clubes e federações se posicionam sobre proibição das apostas no esporte
Enquanto o Fortaleza permanece sem se manifestar sobre a possível proibição das casas de apostas no Brasil, o Ceará e a Federação Cearense de Futebol (FCF) se mostram contrários à medida. Atualmente, o Fortaleza não possui patrocinador master e integra o grupo de sete times da Série B que não têm parceria com casas de apostas online, entre eles Botafogo-SP, Cuiabá, Juventude, Londrina, Operário-PR e Ponte Preta.
Por outro lado, o Ceará exibe a marca Esportes da Sorte no espaço principal de seu uniforme desde maio de 2024. A FCF, organizadora do Campeonato Cearense, conta com a SuperBet como patrocinadora principal desde 2024, detentora dos naming rights da competição.
Contexto e impacto da regulamentação no futebol brasileiro
A expectativa é que o texto final da medida seja publicado e enviado ao Congresso Nacional em breve, ainda sujeito a alterações diante das pressões do setor esportivo. Além do Ceará e da FCF, clubes tradicionais como Vasco, Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Cruzeiro também manifestaram apoio à manutenção do mercado regulado de apostas. As federações de futebol do Rio de Janeiro e São Paulo reforçaram essa posição com publicações em suas redes sociais.
O futebol brasileiro acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas, reconhecendo os desafios sociais que sua expansão traz, especialmente para as pessoas mais vulneráveis. Por isso, reforça a necessidade de aprimorar mecanismos de proteção, fiscalização e educação para garantir um ambiente responsável.
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Regulamentação como resposta ao mercado ilegal e aporte financeiro essencial
O Brasil optou por enfrentar o desafio das apostas por meio da regulamentação, estabelecendo regras rígidas para empresas autorizadas, permitindo fiscalização, responsabilização e combate às plataformas clandestinas. Nos últimos anos, o investimento dessas empresas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte, impulsionando o futebol brasileiro no cenário sul-americano, com destaque para a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana.
Essa injeção financeira não se limita aos grandes clubes, alcançando também equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menos visibilidade. Para muitos clubes do interior, não há, atualmente, outro setor econômico capaz de substituir esse aporte imediato.
Consequências da proibição e apelo por medidas responsáveis
As receitas provenientes das apostas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não geram receita suficiente, como o futebol feminino e a base. Uma queda abrupta nessas receitas ameaça esses investimentos essenciais.
Rumores sobre mudanças drásticas na regulamentação preocupam clubes, federações e entidades esportivas. Alterar as regras de forma abrupta reduziria o investimento e causaria desequilíbrios internos e externos. Contratos assinados e planejamentos foram firmados sob o atual marco regulatório.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
O ambiente regulado surgiu para enfrentar um mercado ilegal que movimentava bilhões de reais. Com a regulamentação, empresas autorizadas recolhem impostos e adotam medidas de proteção ao consumidor, bloqueio de menores, prevenção de práticas abusivas, combate à lavagem de dinheiro e manipulação de competições. Essa iniciativa retirou o Brasil da liderança em casos de manipulação no mundo.
Eliminar o modelo regulado não extinguiria as apostas, mas levaria consumidores às plataformas clandestinas, sem impostos, limites ou proteção, dificultando o controle por parte das autoridades. Isso representaria um golpe à sustentabilidade do futebol brasileiro, com risco de insolvência para muitos clubes e insegurança jurídica para contratos vigentes.
Compromisso do futebol com a fiscalização e educação
O futebol defende o combate à ilegalidade, o fortalecimento da fiscalização e o aprimoramento dos mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado regulado pelo Estado. As entidades esportivas se colocam à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional e das autoridades para colaborar em iniciativas de educação e conscientização.
O recado é claro: o torcedor não pode ser o responsável por arcar com os prejuízos. Se o mercado regulado acabar, as apostas não deixarão de existir — quem sai perdendo é o futebol brasileiro.
