Desafios econômicos para a Transnordestina
O debate sobre a viabilidade econômica da ferrovia Transnordestina ganhou força entre empresários do agronegócio cearense, que se reuniram para discutir se a economia do Ceará, junto com a do Oeste de Pernambuco, Norte da Bahia e Sudeste do Piauí, tem capacidade para sustentar um investimento que já ultrapassou os R$ 14 bilhões. A Transnordestina Logística S/A, empresa do Grupo CSN liderado pelo industrial Benjamin Steinbruch, enfrenta dúvidas sobre sua capacidade de operar de forma eficiente e rentável.
Participantes do encontro, compostos por empresários que atuam também nos setores industrial, agroindustrial e logístico, expressaram ceticismo em relação à demanda que a ferrovia poderá suportar. Um deles, com experiência desde 1992 em logística de transporte e atuação em multinacional do setor, destacou que a escassez de navios é consequência da falta de mercadorias para transporte. Ele questionou o volume de cargas que realmente circulará pela Transnordestina, sobretudo da região do Matopiba (que engloba Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia), apontando que a movimentação esperada para o Ceará é limitada.
Comparações que evidenciam o desafio do transporte
O empresário trouxe como parâmetro o exemplo do Equador, cuja área territorial é menos da metade da Bahia. No ano anterior, o país exportou cerca de 400 milhões de caixas de banana Cavendish, volume que equivale a 400 mil contêineres. Em contraponto, as exportações de banana no Nordeste brasileiro chegam a cerca de 2 milhões de caixas por ano, um número muito inferior para impulsionar a movimentação ferroviária da Transnordestina.
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Fonte: acreverdade.com.br
Outro participante destacou um problema estrutural que pesa na avaliação da ferrovia: a demora na conclusão do Projeto São Francisco de Integração de Bacias, iniciado em 2007. Ele ressaltou que, se a logística de água ainda não foi resolvida, fica difícil acreditar na viabilidade da logística ferroviária, especialmente considerando que o investimento na Transnordestina já ultrapassou R$ 14 bilhões, bem acima dos R$ 4 bilhões previstos inicialmente. Além disso, ele duvida que a ferrovia esteja concluída até o prazo prometido, o fim de 2027.
Contexto global e infraestrutura local em foco
Na reunião, foi lembrado que o mercado global de navegação marítima é dominado por apenas cinco grandes empresas, responsáveis por 80% do transporte mundial. Entre elas, a Maersk oferece um serviço destacado que conecta o Porto do Pecém à Europa, o que reforça a importância da infraestrutura portuária para a logística regional.
No âmbito das rodovias, outro empresário comparou o ritmo da duplicação da BR-304, que liga Boqueirão do Cesário (CE) a Natal (RN), com o da BR-116 no Ceará. Enquanto a primeira avança lentamente, a duplicação da BR-116 enfrenta dificuldades para sair do papel, com promessas ainda não cumpridas.
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Fonte: noticiasdorecife.com.br
Recursos hídricos, clima e impactos na logística
Uma preocupação adicional surgiu sobre o impacto do fenômeno El Niño, que pode intensificar problemas hídricos na região. O especialista em recursos hídricos alertou que as motobombas que duplicarão a Estação Elevatória de Salgueiro (PE) — responsável por bombear água do São Francisco para o açude Castanhão — ainda estão sendo fabricadas na China e só devem chegar em agosto. Em contrapartida, a duplicação do canal Eixão das Águas, que liga o Castanhão ao açude Pacajus e reforça o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza, estará concluída até dezembro. O risco de racionamento de água permanece, mas o governo estadual, por meio da Cogerh, já busca soluções para minimizar esse impacto.
Movimentações no comércio exterior e aquisições estratégicas
O cenário econômico do Ceará também terá destaque na 21ª Expolog, feira internacional de logística, onde será realizada a segunda edição do Prêmio Destaques do Comércio Exterior do Ceará. O evento, promovido pelo Grupo Comex presidido por Marcos Oliveira, reconhece profissionais que contribuem para fortalecer o comércio exterior e impulsionar a economia local.
Na esfera empresarial, a M. Dias Branco anunciou a compra de 80% do capital da Grespan, empresa paulista especializada em pães congelados, por R$ 208,4 milhões. O pagamento será à vista, por meio da Jasmine Indústria e Comércio de Alimentos, controlada pela M. Dias Branco. Parte desse valor será retida para ajustes relacionados à dívida líquida e capital de giro, que serão finalizados após a conclusão do negócio, sujeita a condições usuais em operações do tipo.
