A trajetória inspiradora de uma reitora que defende a educação como prioridade social
A professora e reitora da Unicesumar, Solange Lopes, foi o destaque do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post. Em uma conversa rica em detalhes com o jornalista Ronaldo Nezo, ela compartilhou como sua trajetória, marcada pela resiliência e determinação, a levou a se tornar uma das principais figuras acadêmicas do Brasil. Desde seu início como desenhista de projetos elétricos até a liderança de um dos maiores grupos educacionais do mundo, a trajetória de Solange é um exemplo de superação.
Durante a entrevista, Solange abordou temas importantes como a transição da gestão familiar para o modelo de capital aberto da Unicesumar e os desafios que a inteligência artificial impõe ao ambiente de aprendizado. Além disso, ela enfatizou a importância do afeto e das relações humanas no ensino superior, algo que, segundo ela, deve ser priorizado nas instituições de ensino.
‘Nós somos eternos aprendizes. Quando você tem um coração aberto para aprender com a vida, as oportunidades aparecem’, afirmou a reitora, ao relembrar que sua caminhada profissional é baseada em persistência e compromisso ético.
Ousadia e recomeço: A história de Solange Lopes
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Solange relembrou como sua carreira teve um início atípico. Aos 17 anos, desenvolveu suas habilidades em desenho de projetos elétricos para conseguir seu primeiro emprego em Maringá. Depois de passar por concursos públicos no CREA e na Embratel, decidiu mudar o rumo da sua vida ao interromper uma carreira promissora para se dedicar aos seus três filhos, incluindo gêmeos. Essa pausa de oito anos foi um momento significativo, mas não visto como um fracasso.
‘Muitas pessoas têm dificuldade em entender que um hiato não é um obstáculo. O recomeço é apenas um novo capítulo’, ressaltou Solange. Essa nova fase a levou a retomar os estudos, onde se formou em Fisioterapia e posteriormente conquistou seu mestrado e doutorado, iniciando uma longa jornada de 26 anos na Unicesumar, onde passou de professora a reitora.
Transição de gestão: A nomeação como reitora
Um dos momentos mais emocionantes relatados por Solange foi sua nomeação como reitora, sucedendo o fundador da instituição, Professor Wilson de Matos Silva. Ela compartilhou que a notícia a pegou de surpresa. ‘Ele começou o discurso em uma reunião com outras lideranças dizendo que nomearia alguém que daria continuidade à sua visão sobre educação de qualidade. Quando ele me chamou e entregou a caneta, parecia um sonho realizado’, descreveu.
Essa transição não apenas representou uma mudança de liderança, mas também quebrou barreiras. ‘Na época, eram apenas três mulheres reitoras em todo o Paraná. A responsabilidade de dar continuidade a um trabalho tão importante foi imensa’, analisou Solange.
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Gestão educacional: Desafios e inovações
Com a fusão entre Unicesumar e Uniasselvi, formando a Vitru Educação, que está listada na Nasdaq e, posteriormente, na B3, Solange assumiu a vice-presidência das operações presenciais, gerenciando mais de 34 mil estudantes.
Ela refutou a ideia de que o ensino privado deve focar apenas no lucro. ‘A educação é um bem público, conforme a Constituição. Se comprometer a qualidade em busca de lucro é um erro que será notado pela sociedade e pelo MEC. Minha luta diária é equilibrar os resultados financeiros com uma formação técnica e ética de qualidade’, enfatizou.
A respeito do curso de Medicina, um tema recorrente nas discussões atuais, Solange celebrou a nota 4 que a Unicesumar obteve no Enamed, posicionando-a ao lado de instituições renomadas como a UEL e a UFPR. Ela atribui esse sucesso a um tripé fundamental: um projeto pedagógico inovador, infraestrutura avançada e um corpo docente qualificado.
Inteligência Artificial e a importância do ensino presencial
Ao discutir a Inteligência Artificial e o uso de smartphones em sala de aula, Solange adota uma perspectiva cautelosa. Ela acredita que a tecnologia deve ser uma ferramenta, não um substituto para a reflexão crítica. ‘O chat GPT oferece informações, mas como você aplica essas informações na vida real? Conhecimento não equivale a formação humana’, explicou.
A reitora defende que a capacidade de impactar e conectar com o próximo será o diferencial competitivo no futuro. Por isso, ela acredita na importância de resgatar o ensino presencial. ‘A pandemia nos deixou isolados, e os jovens buscam se reintegrar em comunidades, anseiam por afeto e trocas diretas com os professores. Aprendemos por meio das relações sociais’, concluiu Solange.
Disponibilidade da entrevista completa
A entrevista com a reitora Solange Lopes pode ser conferida na íntegra no canal do Maringá Post no YouTube. Ao longo da semana, o público poderá acessar cortes exclusivos do podcast nas redes sociais do jornal, que trarão insights sobre liderança, gestão educacional e carreira. Além disso, matérias temáticas sobre os assuntos discutidos durante o podcast serão publicadas no portal.
