Iniciativa visa ampliar áreas verdes e combater mudanças climáticas
Com a intenção de aumentar a cobertura vegetal e enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas nas áreas urbanas, um novo projeto de lei está sendo analisado na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). A proposta, que se encontra em tramitação, sugere a inclusão de incentivos para a criação de microflorestas urbanas, também conhecidas como florestas de bolso, na legislação municipal. Neste momento, o projeto aguarda instrução jurídica para avançar nas comissões temáticas do Legislativo.
A iniciativa é liderada pela vereadora Laís Leão, do PDT, e busca modificar a lei municipal 16.645/2025. Esta lei já estabelece a Política Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas e pretende reconhecer as microflorestas como uma estratégia de infraestrutura verde e adaptação climática. O projeto propõe a adição do artigo 20-A à legislação atual, que prevê incentivos para a implementação dessas microflorestas.
O novo dispositivo reconhece as florestas de bolso como estratégias adequadas para adaptação climática e infraestrutura verde, definindo objetivos claros como o aumento da cobertura vegetal, a diminuição das ilhas de calor, a melhoria do microclima e o fortalecimento da biodiversidade. Além disso, a proposta prevê que a implantação das microflorestas poderá ocorrer em áreas públicas, privadas (de forma voluntária) ou através de iniciativas comunitárias, garantindo a participação da sociedade civil.
Técnicas de plantio para áreas urbanas
As florestas de bolso são concebidas a partir de um modelo de plantio denso e diversificado, priorizando espécies nativas que facilitam um rápido crescimento da vegetação e a recomposição das funções ecológicas em espaços reduzidos. Essa abordagem permite transformar áreas degradadas ou subutilizadas em núcleos de vegetação densa, promovendo melhorias no conforto térmico, aumentando a umidade do ar, favorecendo a infiltração da água no solo e, consequentemente, contribuindo para a qualidade ambiental nas cidades.
Para entender melhor, veja as características das florestas de bolso:
ASPECTO CARACTERÍSTICAS DAS FLORESTAS DE BOLSO
Definição: Microflorestas urbanas com plantio denso de espécies
Espécies: Preferencialmente nativas
Tamanho: Pequenas áreas urbanas
Função climática: Redução de ilhas de calor e melhoria do microclima
Benefícios ambientais: Biodiversidade, infiltração de água, qualidade do ar
Implantação: Áreas públicas, privadas ou comunitárias
Participação: Sociedade civil, instituições e poder público
Impacto positivo e viável
Na justificativa de seu projeto, a vereadora Laís Leão destaca que a proposta visa concretizar as diretrizes que já estão previstas na política climática municipal, apresentando soluções práticas e replicáveis dentro do contexto urbano. “Mesmo pequenos projetos podem gerar impactos significativos em termos de sustentabilidade”, afirma a vereadora, ao enfatizar a possibilidade de regeneração ecológica em áreas que atualmente se encontram degradadas.
Além disso, Laís Leão ressalta o potencial transformador das microflorestas, classificando-as como “soluções ambientais de alta eficiência e baixo custo de manutenção”, que têm o poder de promover mudanças concretas e mensuráveis na qualidade do ambiente urbano.
Política climática com metas até 2050
A lei 16.645/2025 já estabelece diretrizes para a política climática de Curitiba, com metas ambiciosas, como a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa até 2050 e a redução das emissões até 2030. A norma inclui diretrizes para diversas áreas, como mobilidade sustentável, uso do solo, segurança hídrica e ampliação das áreas verdes. Também são previstos instrumentos como o Plano Municipal de Ação Climática (PlanClima) e a realização de inventários de emissões e avaliações de riscos climáticos.
Nesse cenário, a proposta de Laís Leão surge como um complemento necessário dentro da política existente, reforçando a estratégia de adaptação climática por meio de soluções naturais. O projeto foi protocolado em 28 de março e aguarda avaliação da Procuradoria Jurídica. Uma vez que receber o parecer técnico, seguirá para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, se aprovado, trará um impacto significativo no futuro ambiental da cidade.
