Pecuária em Alta e Desempenho do Agronegócio
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro teve um crescimento significativo de 12,20% em 2025, alcançando a marca de R$ 3,20 trilhões. Essa expansão elevou a participação do setor para 25,13% da economia nacional, destacando-se especialmente pela performance da pecuária, que foi o principal motor desse crescimento. As informações foram reveladas em um estudo realizado pelo Cepea, da Esalq/USP, em colaboração com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
No entanto, o quarto trimestre de 2025 trouxe sinais de desaceleração, com uma retração de 1,11% em comparação ao trimestre anterior. Essa diminuição foi reflexo da perda de impulso nos preços do agronegócio, o que trouxe um ar de cautela para o setor.
Desempenho do Agronegócio no Quarto Trimestre
A queda no último trimestre afetou diversas áreas dentro do agronegócio, com as seguintes variações:
- Insumos: -2,32%
- Segmento primário: -0,92%
- Agroindústrias: -1,48%
- Agrosserviços: -0,86%
Conforme o Cepea apontou, essa desaceleração já era esperada, visto que o crescimento extraordinário visto no ano anterior foi impulsionado pela alta dos preços que teve início no segundo semestre de 2024, mas que perdeu força ao longo de 2025.
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Pecuária e Agricultura: Diferenças Visíveis
O grande destaque de 2025 foi, sem dúvida, a pecuária que registrou um avanço impressionante de 32,55%, enquanto o setor agrícola teve uma leve alta de 3,40%. No quarto trimestre, esse cenário se tornou ainda mais evidente, onde a agricultura enfrentou uma retração de 2,43%, ao passo que a pecuária continuou a crescer, com um aumento de 1,81%.
A sustentação da pecuária se deu principalmente devido à valorização dos preços e ao aumento do volume de produção, além do desempenho robusto nas exportações.
Crescimento de Preços e Produção: Uma Combinação Rara
Um dos aspectos mais notáveis de 2025 foi a combinação da alta nos preços com um crescimento na produção, algo incomum no setor. O chamado PIB-volume, que avalia o aumento da produção, cresceu 6,76% no período, revelando uma expansão consistente das atividades. Normalmente, anos de alta produção são seguidos por quedas nos preços, mas esse padrão não se confirmou em 2025, o que contribuiu para que o ano registrasse um dos maiores crescimentos da série histórica do PIB do agronegócio brasileiro.
Análise dos Segmentos do Agronegócio
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Fonte: amapainforma.com.br
O desempenho do agronegócio também pode ser analisado por segmentos:
Insumos
Os insumos apresentaram um crescimento de 5,37% no ano, com destaque para os insumos agrícolas (+12,51%). Fertilizantes, defensivos e máquinas foram os principais responsáveis por esse avanço. Por outro lado, os insumos pecuários recuaram 11,67%, impactados pela diminuição nos preços das rações.
Segmento Primário
Esse segmento teve uma notável expansão de 17,06%, com a agricultura avançando 13,09% e a pecuária, impressionantes 24,16%. Esses números refletem o aumento da produção e, para a pecuária, os preços elevados que favoreceram esse crescimento.
Agroindústria e Agrosserviços
A agroindústria cresceu 5,60%, mas apresentou contrastes internos: na base agrícola, uma queda de 3,33%, enquanto na base pecuária, um aumento expressivo de 36,54%. Já os agrosserviços registraram alta de 13,76%, com um modesto crescimento na base agrícola (+1,13%) e um expressivo aumento na base pecuária (+41,59%).
Participação do Agronegócio na economia brasileira
Com os resultados de 2025, o agronegócio ampliou sua relevância na economia brasileira, saltando de 22,9% do PIB em 2024 para 25,13% em 2025. Nesse total, R$ 2,06 trilhões foram oriundos da agricultura, enquanto R$ 1,14 trilhão vieram da pecuária.
Perspectivas Futuras
A despeito do crescimento significativo, o agronegócio continua a ser afetado pelas oscilações de preços. A desaceleração observada no final de 2025 sugere que o setor poderá enfrentar um ritmo mais moderado no futuro, especialmente se houver pressões sobre as cotações. No entanto, a combinação de produção elevada, demanda consistente e a força da pecuária mantém o agronegócio como um dos pilares da economia brasileira.
