Oficina fortalece rede de atenção
A oficina regional de cuidados paliativos no SUS começou nesta terça-feira na Escola de Saúde Pública de Fortaleza (Espfor) e segue até quinta-feira. Organizada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Ministério da Saúde, a iniciativa reúne gestores estaduais e municipais, profissionais de saúde e representantes de serviços da Rede de Atenção à Saúde (RAS). O objetivo principal é debater estratégias para implementar a Política Nacional de Cuidados Paliativos com foco na dignidade do paciente.
Participantes destacam importância humanizada
“Para mim, cuidado paliativo é dar dignidade ao ser humano”, afirmou Tânia Mara Coelho, gestora da Sesa e presidente do Conass, na abertura do evento. A médica infectologista compartilhou memórias do início de sua carreira, quando percebeu a resistência das equipes em falar abertamente sobre terminalidade. “Era comum preferir internar um paciente grave do que oferecer um acompanhamento paliativo. Nossa primeira equipe no Hospital São José mostrou que falar sobre cuidar significa, acima de tudo, respeitar a vida”, disse.
Na plateia, Lauro Perdigão, secretário executivo de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional, e Vaudelice Mota, secretária executiva da Atenção Primária, reforçaram a necessidade de capacitação. Um especialista, que preferiu não se identificar, comentou: “A empatia nasce com a formação técnica, mas floresce na rotina de cada posto e hospital.”
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Fonte: cidaderecife.com.br
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Fonte: omanauense.com.br
Temas centrais e metodologia de trabalho
Ao longo dos três dias, os participantes vão discutir tópicos como organização da linha de cuidado, identificação de usuários elegíveis, planejamento antecipado do cuidado e comunicação de más notícias. Também fazem parte da programação oficinas coletivas, estudos de caso e visitas técnicas, especialmente na Casa de Cuidados do Ceará (CCC), referência em desospitalização e atendimento multiprofissional.
A coordenadora do Núcleo Nacional de Cuidados Paliativos, Gabriela Hidalgo, ressaltou o caráter participativo: “Queremos que cada território construa seu plano de ação. Quem melhor entende as necessidades locais são as equipes que atuam no dia a dia.”
Visões de gestores e profissionais
Carla Ulhoa, coordenadora da Câmara Técnica de Qualidade no Cuidado e Segurança do Paciente do Conass, colocou em evidência a construção coletiva entre estados, municípios e serviços: “Já sabemos onde estamos e, juntos, vamos chegar onde o paciente precisa. Essa oficina é um passo decisivo nesse caminho.”
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Fonte: ocuiaba.com.br
O médico Dyeggo Carvalho, da equipe de desospitalização, reforçou o caráter transversal do tema. “A participação de profissionais de vigilância sanitária, assistência farmacêutica, regulação e urgência mostra que cuidados paliativos no SUS envolvem toda a rede. A união de saberes garante identificação precoce e acolhimento eficiente.”
Próximos passos para implementação
O encerramento previsto para sexta-feira na CCC vai compilar recomendações e fluxos territoriais. Espera-se que cada região saia com um plano de ação adaptado à realidade local, incluindo calendário de formações e mecanismos de monitoramento. Para pacientes e familiares, a expectativa é ampliar o acesso a uma atenção mais humana e integrada.
Marcos Melo, de Fortaleza, aponta: as iniciativas locais tendem a servir de modelo para outras regiões do país, ajustando guiamentos técnicos à cultura e à logística de cada território. O desafio permanece em manter o diálogo ativo entre gestores, equipes e sociedade, preservando sempre a premissa de que cuidar, acima de tudo, é resgatar a dignidade de quem enfrenta a fase final da vida.
