Desafio na disputa e estratégia de governo
O governador do Ceará e candidato à reeleição pela Federação Brasil da Esperança, Elmano de Freitas (PT), passou por uma sabatina de 50 minutos no UOL, enfrentando uma combinação difícil: defender sua gestão diante de uma aprovação de 54% e responder aos ataques de Ciro Gomes (PSDB), seu principal adversário. Elmano adotou uma postura firme ao acusar Ciro de atuar como “quinta coluna” da extrema-direita no estado, destacando o apoio deste a figuras ligadas ao bolsonarismo, como André Fernandes (PL), candidato derrotado na prefeitura de Fortaleza em 2024, e senadores contrários ao presidente Lula.
Acusações e cenário eleitoral
Elmano reforça que Ciro Gomes não representa o campo progressista no Ceará, o que busca deslegitimar o adversário diante do eleitorado que deu quase 70% dos votos a Lula em 2022. Para explicar o empate técnico nas pesquisas com Ciro, apesar da liderança de Lula, o governador atribui o cenário à desinformação do eleitor: “Grande parte do nosso eleitorado ainda acha que o Ciro é um aliado do Lula.”
Segurança pública sob análise
A segurança pública foi o tema mais delicado durante a sabatina. Elmano apresentou dados que indicam avanço no combate à criminalidade, como o aumento da estrutura de inteligência, crescimento nas prisões de membros de facções e redução significativa nos índices de homicídios e roubos. Segundo ele, o Ceará passou de um dos estados mais violentos para a décima posição, e Fortaleza caiu da quarta para a 20ª entre as capitais mais violentas.
O governador admitiu que a esquerda deve combinar medidas de prevenção social com ações repressivas e defendeu um pacto nacional que envolva diferentes órgãos de segurança e políticas públicas. No entanto, negou categoricamente a existência de territórios dominados por facções no estado, apesar de relatos contrários sobre famílias expulsas em periferias. Esse ponto revelou uma vulnerabilidade na resposta, que se concentrou em mudanças legislativas e no reforço policial.
Reconheceu ainda desafios institucionais ao relatar dificuldades para capturar líderes de facções que atuam no Rio de Janeiro, citando a necessidade de cooperação entre estados para enfrentar o crime organizado. Destacou que a polícia do Rio não tem acesso a alguns esconderijos, como o de “Isquidum”, do Comando Vermelho, evidenciando uma lacuna na repressão ao crime.
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Resultados concretos da gestão
Elmano destacou a geração de empregos, a ampliação do ensino integral, a regionalização da saúde e programas de combate à pobreza como marcas de sua administração. Apresentou números que revelam saldo positivo de 180 mil empregos formais e a retirada de 400 mil pessoas da extrema pobreza, graças ao programa Ceará Sem Fome e outras políticas.
O governador também mencionou a redução de 42% nos homicídios e 51% nos roubos, além da expansão do ensino superior em 73 municípios, com o objetivo de alcançar os 184 municípios cearenses. Ressaltou ainda que, pela primeira vez, o número de trabalhadores com carteira assinada superou o de beneficiários do Bolsa Família. A meta é alcançar 100% da rede estadual em tempo integral até 2027, elevando a posição do Ceará no Ideb.
Na área tecnológica, relacionou a expansão dos cursos superiores a uma estratégia econômica focada em setores como tecnologia da informação, energias renováveis, turismo e infraestrutura portuária. Defendeu os data centers, criticados por seu consumo de água e energia, explicando que o Ceará produz mais energia do que consome, e que o uso hídrico desses centros é suprido por esgoto tratado, demonstrando domínio técnico do tema.
Posicionamento político e desafios do PT
Sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, Elmano adotou postura institucional, destacando que a atitude do presidente Lula é adequada ao permitir investigações, diferentemente da postura de Jair Bolsonaro em casos semelhantes. Afirmou que qualquer erro será responsabilizado, sem entrar em detalhes, reforçando a imagem de candidato que respeita as instituições.
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Reconheceu que o PT precisa se atualizar para dialogar melhor com trabalhadores autônomos, entregadores e pequenos empreendedores, setores que ganharam relevância na nova configuração social brasileira. Segundo ele, o partido surgiu em um contexto diferente, ligado a movimentos sindicais e estudantis, e precisa ampliar sua base para continuar competitivo.
Defendeu que a hegemonização da direita pela extrema-direita é um fenômeno que atinge todos os partidos tradicionais, reforçando a necessidade de renovação sem perder a essência progressista.
Análise e próximos passos
O desempenho de Elmano foi mais consistente ao detalhar políticas públicas e reconhecer limitações institucionais do que ao responder às críticas pessoais de Ciro Gomes. A segurança pública permanece um ponto sensível, especialmente sobre o controle territorial das facções e os deslocamentos forçados.
A estratégia de transformar Ciro em “quinta coluna do bolsonarismo” pode ser eficaz se o eleitorado ainda não percebeu a mudança de lado do adversário, mas também representa risco se a acusação for considerada repetitiva. A eleição será um teste para saber se Elmano consegue traduzir a aprovação do governo e a força de Lula em voto direto, confirmando ou não o alinhamento do eleitor cearense com seu projeto político.
