Expansão da carcinicultura no Ceará impulsiona financiamentos do BNB
O setor de carcinicultura no Ceará registrou um salto significativo nos valores captados por meio de financiamentos do Banco do Nordeste (BNB) em 2025, alcançando R$ 54,3 milhões. Esse montante representa um aumento de 164% em comparação aos pouco mais de R$ 20 milhões liberados no ano anterior, conforme dados divulgados pelo banco na quinta-feira (11). A trajetória de crescimento já era evidente desde 2023, quando a procura por crédito junto à instituição cresceu quase 90% até 2024.
O aumento do crédito acompanha diretamente a expansão da área produtiva dedicada à aquicultura no estado. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a área ocupada por empreendimentos do setor avançou de 14.603 hectares em 2023 para 15.288 hectares em 2024, chegando a 16.233 hectares em 2025. Essa variação representa um crescimento de 11,2% em dois anos, consolidando o Ceará como referência nacional na atividade.
Ritmo crescente e liderança nacional na produção de camarão
O bom desempenho do setor deve continuar em 2026. Entre janeiro e abril, o BNB liberou R$ 7,7 milhões para a carcinicultura no Ceará, valor 55% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil, destacou essa tendência: “De 2023 para 2024, já registramos alta de quase 90% na procura por crédito para carcinicultura. Nos quatro primeiros meses de 2026, já financiamos R$ 7,7 milhões”.
Leia também: Ceará Lidera Exportação Nacional de Pescado em 2026 com US$ 28,73 Milhões
Leia também: Deputada Janad Valcari Reitera Apoio ao Agronegócio na Abertura da Agrotins 2026
Em âmbito regional, considerando toda a área de atuação do BNB, que abrange os estados do Nordeste, além de parte de Minas Gerais e Espírito Santo, as contratações para carcinicultura somaram R$ 75,6 milhões em 2025, alta de 110% em relação ao ano anterior. Os financiamentos contemplam construção, reforma e ampliação de instalações, aquisição de máquinas e equipamentos, veículos e custeio pecuário, incluindo etapas de beneficiamento e industrialização da produção.
Além do crescimento nos financiamentos, o Ceará se destaca como líder na produção nacional de camarão. Em 2024, o estado produziu 110 mil toneladas do crustáceo, com faturamento de R$ 3,5 bilhões, respondendo por mais da metade da produção brasileira total de 210 mil toneladas no período, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC). O Rio Grande do Norte e a Paraíba ficaram atrás com 36 mil e 25 mil toneladas, respectivamente.
Desafios ambientais e dificuldades nas exportações
Apesar da expansão, o setor ainda enfrenta entraves relevantes que limitam seu avanço. O principal é a falta de licenciamento ambiental, que impede muitos produtores de acessar financiamentos institucionais. Para 2026, está previsto um Censo da Carcinicultura no Ceará que irá georreferenciar cerca de 2.500 empreendimentos ativos, abrangendo desde o litoral até o sertão. O objetivo é mapear o setor e fornecer dados para a formulação de políticas públicas mais eficazes.
Leia também: Governo e Agronegócio em Conflito: Riscos para o Plano de Redução de Preços dos Combustíveis
Leia também: Bahia Farm Show 2026: O Crescimento do Agronegócio Baiano em Foco
Outro desafio importante está relacionado ao comércio exterior. Desde 2018, o mercado europeu permanece fechado para o camarão brasileiro devido a inconformidades detectadas em produtos provenientes de outro estado. O governo federal mantém negociações para reabrir esse mercado, além de buscar novas oportunidades na China e no Reino Unido — onde as tratativas são mais avançadas, com expectativa de retomada das exportações ainda em 2025, conforme a Associação de Produtores de Camarão do Ceará (APCC). Em 2024, a ausência de exportações competitivas prejudicou o escoamento externo justamente no momento em que a produção interna se expande.
O Nordeste concentra quase toda a produção nacional de camarão cultivado, com Ceará e Rio Grande do Norte liderando o setor. A atividade avança para outros estados da região e se interioriza progressivamente, acompanhando a demanda global pelo crustáceo que cresce de forma constante, enquanto a oferta proveniente da pesca permanece estagnada, segundo o Caderno Setorial Etene de Carcinicultura do BNB, edição de dezembro de 2025.
