Diversificação e Oportunidades no agronegócio
O agronegócio brasileiro fez história em 2023, ao abrir 601 novos mercados internacionais, consolidando seu papel como um dos principais motores das exportações do país. De acordo com dados recentes, o setor respondeu por quase 50% das vendas externas no primeiro trimestre de 2026, evidenciando sua importância na economia nacional.
A doutora Fernanda Brandão, especialista em relações internacionais, destacou que as recentes aberturas de mercados em países como Cuba e Filipinas, além de uma nova negociação de cereais com o Chile, aumentam a capacidade do produtor de enfrentar as incertezas globais. “Esse movimento amplia nossa diversidade de parceiros e reduz a dependência de mercados como os Estados Unidos, que se tornaram menos confiáveis no curto prazo devido ao aumento do protecionismo. Ao diversificar, aumentamos a resiliência do setor e diminuímos vulnerabilidades estratégicas”, afirmou Brandão em entrevista ao Times Brasil, licenciado exclusivo da CNBC.
Brandão também ressaltou a competitividade dos produtos brasileiros. “Apesar da pressão inflacionária global sobre fertilizantes, o custo de produção de nossos produtos é atraente. Esperamos que, com a redução tarifária para suco de laranja e café, haja um aumento significativo nas vendas para a Europa”, comentou.
Leia também: Agronegócio em Debate: Críticas ao Fim da Escala 6×1 na Expozebu
Leia também: Governo Apresenta Nova Proposta para Refinanciamento de Dívidas do Agronegócio
Desafios e Gargalos Logísticos
Entretanto, a situação não é apenas de otimismo. A especialista alertou para os gargalos logísticos e os impactos dos conflitos no Oriente Médio, que estão encarecendo o frete e dificultando o acesso a compradores tradicionais. O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, tem criado dificuldades severas para o escoamento da proteína de frango para países árabes, considerados parceiros vitais para o Brasil. Além disso, a dependência do transporte rodoviário e o baixo investimento em ferrovias continuam a ser um desafio a ser superado para manter o ritmo de crescimento do setor.
Apesar do dólar cotado a R$ 4,99, Brandão acredita que o Brasil ainda possui uma vantagem competitiva devido à sua eficiência produtiva e à busca de novos blocos econômicos. “A Índia, como membro do BRICS, é uma das maiores economias globais e enfrenta pressões significativas em sua segurança alimentar, representando um potencial imenso ainda pouco explorado. Países como México e Turquia também apresentam crescimento expressivo neste primeiro trimestre, o que sinaliza um caminho promissor para nossa diversificação”, comentou.
Leia também: Caiado Reforça Laços com Empresários e Agronegócio em Minas Gerais
Leia também: Startups Transformam o Agronegócio no Agrishow Labs
Estratégia de Negociação e Futuro do Setor
A professora Brandão finalizou ressaltando que a estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária em priorizar negociações setorizadas tem sido um fator crucial para atingir o recorde de 601 mercados internacionais. “O Brasil está explorando países em desenvolvimento com populações significativas. Esse alcance de novos parceiros, onde as rotas comerciais são menos problemáticas, permitirá que o agronegócio continue a quebrar recordes e a sustentar o PIB nacional”, concluiu.
